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Texto de popularização do conhecimento científico elaborado pelo professor Marcos Bagno.
Resenha crítica da obra DEL PRIORE, Mary. D. Maria I: as perdas e as glória da rainha que entrou para a história como “a louca”. São Paulo: Benvirá, 2019, 224 p. ISBN: 978-85-5717-316-3.
O Termo de Alinhamento e Vistoria de julho de 1849, apresentado nessa transcrição, faz parte da coleção de onze volumes encadernados pertencentes ao acervo permanente do Arquivo Histórico Municipal de Salvador (AHMS). Esse manuscrito... more
O Termo de Alinhamento e Vistoria de julho de 1849, apresentado nessa transcrição, faz parte da coleção de onze volumes encadernados pertencentes ao acervo permanente do Arquivo Histórico Municipal de Salvador (AHMS). Esse manuscrito registra o processo de arrendamento anual de trinta e seis pequenas áreas de comércio exclusivo de gêneros alimentícios no local da antiga Praça São João, situada na Cidade Baixa do município. O documento revela o aluguel concedido a comerciantes livres e cativos(as), especialmente mulheres, citando-os(as) nominalmente, revelando um aspecto interessante da dinâmica social urbana da cidade em meados do século XIX.
O mapa “Ideia Geographica dos territórios portuguezes que comprehende o Governo e Capitania General do Matto Grosso e Cuiabá. Confinantes as Provincias Castelhanas de Chiquitos e de Mojos” faz parte do acervo cartográfico da Biblioteca... more
O mapa “Ideia Geographica dos territórios portuguezes que comprehende o Governo e Capitania General do Matto Grosso e Cuiabá. Confinantes as Provincias Castelhanas de Chiquitos e de Mojos” faz parte do acervo cartográfico da Biblioteca Nacional, e é uma peça representativa dos mapas regionais manuscritos da segunda metade do século XVIII. Normalmente utilizados apenas como ilustrações, os mapas são intrigantes documentos históricos que podem revelar muito mais informações do que apenas a geografia representada, e uma das ferramentas para trabalhá-los é História da Cartografia. Centrada em uma abordagem transdisciplinar, a História da Cartografia conjuga métodos de análise internos e externos, pois não analisa os mapas como fins em si mesmos, ou seja, peças puramente técnicas, mas como objetos históricos, carregados de significados. Neste estudo iremos analisar o mapa “Ideia Geographica” a partir dessa metodologia com o intuito de apresentar e convidar os pesquisadores a trabalhar com os mapas para além das ilustrações.
O presente artigo tem por base a minha dissertação de mestrado e a procura de uma incursão pelo mundo da medicina medieval em Portugal, através da análise de uma parte do Códice Eborense CXXI/2-19, um manuscrito do século XV composto por... more
O presente artigo tem por base a minha dissertação de mestrado e a procura de uma incursão pelo mundo da medicina medieval em Portugal, através da análise de uma parte do Códice Eborense CXXI/2-19, um manuscrito do século XV composto por uma série de tratados médicos traduzidos para vernáculo. Através dele, procurámos familiarizar-nos com uma amostra das doenças que acometiam o homem medieval, da mesma forma que o Livro de Naturas, fonte do nosso estudo, atribuído a Frei Gil de Santarém, físico português e frade dominicano, nos proporciona um conhecimento abrangente sobre a composição de diversas mezinhas medievais. Pretendemos, desta forma, dar a conhecer uma fonte medieval, pouco conhecida e não editada, encontrada no Catálogo da Biblioteca Pública de Évora.
Locais de interesse há cerca de um século, os acervos literários vêm se consolidando na contemporaneidade como espaços que congregam memória, história e cultura. Os materiais antes guardados ou destruídos pelos escritores passam a ter uma... more
Locais de interesse há cerca de um século, os acervos literários vêm se consolidando na contemporaneidade como espaços que congregam memória, história e cultura. Os materiais antes guardados ou destruídos pelos escritores passam a ter uma sobrevida e a serem relidos, repensados e analisados por pesquisadores. Partindo desses pressupostos, o objetivo do presente artigo é o de discutir o acervo literário em três perspectivas independentes: o viés da memória, o da história e o da cultura com base em um relato de experiência ocorrido no Acervo Literário Josué Guimarães (aljog/upf). Por meio de um levantamento bibliográfico, com base, especialmente, em Bordini (1995, 2003), Hay (2007) e Biasi (2010), pudemos perceber que essas três perspectivas sintetizam as múltiplas facetas desse local de investigação multidisciplinar.
Neste artigo faise unha exposición sintética do que ata o día de hoxe nos revelou a actividade investigadora en relación co uso escrito do romance nos séculos XII e XIII no espazo político máis intimamente ligado cos idiomas galego e... more
Neste artigo faise unha exposición sintética do que ata o día de hoxe nos revelou a actividade investigadora en relación co uso escrito do romance nos séculos XII e XIII no espazo político máis intimamente ligado cos idiomas galego e portugués: as terras das que foi rei Afonso X o Sabio e o reino de Portugal. Con todo, non se omiten referencias, máis breves, a outros espazos ibéricos: o navarro e o catalano-aragonés. O foco da atención é o da cronoloxía e as circunstancias en que nestes territorios apareceu e se difundiu a innovación consistente en escribir plenamente en romance, e non en latín.
O objetivo deste artigo é investigar aspectos do desenvolvimento histórico do sistema de pontuação e de escrita. Para tanto, focalizamos as diferentes funções da vírgula observadas em prescrições gramaticais de língua portuguesa... more
O objetivo deste artigo é investigar aspectos do desenvolvimento histórico do sistema de pontuação e de escrita. Para tanto, focalizamos as diferentes funções da vírgula observadas em prescrições gramaticais de língua portuguesa publicadas entre os séculos XVII e XIX, o que aqui interpretamos como efeito de diferentes concepções de linguagem, de pontuação e de relação entre fala e escrita. Ao longo do trabalho, defendemos a hipótese de que a complexidade parece ser uma propriedade constitutiva do sistema de pontuação, em razão de sua história heterogênea. Com base nos resultados, encontramos uma mudança funcional ao longo dos séculos que sugere uma coexistência de várias funções, fato que corrobora a teoria que considera os sinais de pontuação como evidências da natureza multidimensional da linguagem.
Este trabalho visa apresentar uma proposta teórico-metodológica de aplicação dos conceitos de onomasiologia e semasiologia para os estudos de neologia. Entendemos que a criação de um neologismo pode ser encarada como um processo... more
Este trabalho visa apresentar uma proposta teórico-metodológica de aplicação dos conceitos de onomasiologia e semasiologia para os estudos de neologia. Entendemos que a criação de um neologismo pode ser encarada como um processo onomasiológico (do conceito à denominação) e a interpretação de um neologismo, como um processo semasiológico (da denominação ao conceito). Em outros termos, o criador de um neologismo parte do conceito que tem em mente para encontrar a melhor forma de expressá-lo linguisticamente (onomasiologia); já o decodificador de um neologismo parte de uma expressão neológica para identificar o(s) significado(s) pretendido(s) por ela (semasiologia). Ao analisar o neologismo sob uma ou outra perspectivas, diferentes questões podem ser propostas: a) onomasiologicamente: quais são os recursos linguísticos à disposição do falante para criar um neologismo com o significado pretendido; quais recursos são mais adequados às intenções comunicativas específicas do criador do neologismo; que fatores fonológicos, sintáticos, semânticos, entre outros, influenciam a escolha do mecanismo de criação lexical; e b) semasiologicamente: quais são os significados possíveis de determinado neologismo; de quais mecanismos o ouvinte pode lançar mão para interpretar adequadamente o neologismo; etc. Exemplificamos nossa argumentação com a análise de neologismos integrantes da Base de neologismos do português brasileiro contemporâneo e do corpus composto por textos de blogues jornalísticos diversos que integram a dissertação de Ganança (2017).
Constitui o objetivo deste trabalho descrever a reduplicação no Vocabulario Portuguez, e Latino... de Rafael Bluteau (1712-1728), importante fonte para o estudo do léxico português, analisando-se a representatividade desse fenômeno a... more
Constitui o objetivo deste trabalho descrever a reduplicação no Vocabulario Portuguez, e Latino... de Rafael Bluteau (1712-1728), importante fonte para o estudo do léxico português, analisando-se a representatividade desse fenômeno a partir dos itens lematizados. A reduplicação é descrita no âmbito da morfologia não concatenativa e é definida como "um processo morfológico que envolve a cópia de material fonológico de uma base" (GONÇALVES; VIALLI, 2016, p. 57), podendo, a unidade lexical, resultar da cópia de toda a palavra (reduplicação total: cai ➝ cai-cai) ou de parte dela (reduplicação parcial: pai ➝ papai). O fenômeno resulta, portanto, da relação da morfologia com a fonologia. No entanto, a concepção de reduplicação utilizada neste artigo é ampla, pois inclui casos de onomatopeia, em geral não considerados nos estudos sobre o tema. Neste trabalho, apresenta-se ainda, de forma breve, uma análise das marcas de uso que Bluteau atribui a algumas formas reduplicadas. Os resultados desse estudo certamente servirão como contributo para as pesquisas empreendidas no presente com base em dados da sincronia atual.
Almejamos descrever panoramicamente a combinação de prefixos no galego-português dos séculos XIII a XVI, mediante uma análise de vocábulos prefixados depreendidos de um corpus textual representativo desse macrossistema linguístico em seu... more
Almejamos descrever panoramicamente a combinação de prefixos no galego-português dos séculos XIII a XVI, mediante uma análise de vocábulos prefixados depreendidos de um corpus textual representativo desse macrossistema linguístico em seu arco temporal arcaico. O que aqui denominamos de combinação ou combinatória de prefixos, como os próprios termos sugerem, consiste na adjunção de um prefixoa um vocábulo já prefixado, como, por exemplo, em arrenegado (a(d)- + re-), desencaixotar (des- + en-) e reconfirmação (re- + com-). Embora presente no vernáculo desde os seus primórdios (na verdade, algo que já se verifica na língua latina), a combinação de prefixos tem sido pouco explorada nas línguas românicas e na sua matriz genolexical. Apresentaremos alguns comentários descritivo-analíticos sobre a configuração do fenômeno no período recortado, fincados na observação dos moldes combinatórios entre os formativos envolvidos, com a identificação daquelas unidades prefixais que se prestam a essa operação, quais têm maior capacidade geradora e em qual posição normalmente figuram. A proposta vem pautada no lastro teórico-epistemológico das premissas fundamentais da morfologia histórica, numa visão epistemológica compromissada com o fato linguístico, com a valorização do dado empírico e com a consideração do evidente fator diacrônico da língua, apoiando-se em uma intersecção entre informações de natureza histórica e um olhar sistêmico dos processos morfolexicais.
Os verbos terminados em -entar, como amolentar, apodrentar, avelhentar, endurentar, enfraquentar, adormentar, acrescentar ou afugentar, têm suscitado, ao longo dos anos, análises diversas no que diz respeito à sua morfologia e/ou ao seu... more
Os verbos terminados em -entar, como amolentar, apodrentar, avelhentar, endurentar, enfraquentar, adormentar, acrescentar ou afugentar, têm suscitado, ao longo dos anos, análises diversas no que diz respeito à sua morfologia e/ou ao seu modo de construção. Este subconjunto de verbos derivados é especialmente interessante pois não apenas nos fornece pistas sobre o processo de geração e de desaparecimento dos afixos, como também permite analisar como se desenrola o fenómeno de competição afixal (cf. amolentar vs. amolecer; apodrentar vs. apodrecer).

Neste artigo, para além de apresentarmos as questões fundamentais que a descrição destes verbos suscita em termos lexicogenéticos, analisaremos o percurso diacrónico do constituinte derivacional -entar desde os primórdios da nossa língua, avaliando os efeitos do fenómeno de competição mantido com outros processos verbalizadores, especialmente com aqueles que envolvem o elemento sufixal -ecer.
Apesar de negligenciada durante muitos anos, tem-se assistido, recentemente, a um aumento da importância da diacronia para os estudos linguísticos e a área da formação de palavras não tem sido exceção. Neste artigo, a análise incidirá... more
Apesar de negligenciada durante muitos anos, tem-se assistido, recentemente, a um aumento da importância da diacronia para os estudos linguísticos e a área da formação de palavras não tem sido exceção. Neste artigo, a análise incidirá sobre algumas mudanças observadas no sistema sufixal nominal do português, tomando como casos de estudo os sufixos -ádig- / -ádeg- e -idão. Os dados foram recolhidos a partir de fontes primárias, mais concretamente textos do português arcaico, os quais fazem parte do CIPM - Corpus Informatizado do Português Medieval. Posteriormente, estes dados foram confrontados com as descrições das gramáticas históricas do português. O objetivo principal é evidenciar convincentemente que os estudos com uma perspetiva diacrónica subjacente são relevantes para a análise da formação de palavras em particular e para a morfologia em geral.
Este trabalho propõe uma análise das palavras derivadas com o sufixo adjetival português -udo (cabeludo, peludo, barrigudo, cabeçudo, chifrudo, carrancudo, abelhudo, rechonchudo), em perspectiva histórica e construcional. Na Morfologia... more
Este trabalho propõe uma análise das palavras derivadas com o sufixo adjetival português -udo (cabeludo, peludo, barrigudo, cabeçudo, chifrudo, carrancudo, abelhudo, rechonchudo), em perspectiva histórica e construcional. Na Morfologia Construcional (BOOIJ, 2010; COELHO, 2013; GONÇALVES, 2016), a noção de construção morfológica envolve um pareamento de forma, função e significado. Por isso, o trabalho descreve aspectos variados, como a categoria lexical da base, a categoria lexical do derivado e o comportamento polissêmico do esquema de sufixação. No que toca aos aspectos históricos, a análise parte da forma latina –ūtus, com dados de um dicionário bilíngue latim-português, passa pelo português arcaico (séculos XIII a XVI), a partir dos dados de Coelho (2005), e chega ao português mais atual, a partir de um conjunto de dados extraídos de um dicionário da língua portuguesa contemporânea. Essa análise histórica permite tanto a compreensão da prototipicidade histórica do significado de posse nesses derivados quanto da produtividade que as construções com esse sufixo adquirem na língua portuguesa, desvencilhando-se consideravelmente do comportamento da matriz latina.
Neste artigo, procuramos checar o estatuto morfológico de -nte, observando, através de critérios empíricos que tradicionalmente diferenciam a flexão da derivação, se houve mudança em seu percurso, do latim ao português. Pretendemos, com... more
Neste artigo, procuramos checar o estatuto morfológico de -nte, observando, através de critérios empíricos que tradicionalmente diferenciam a flexão da derivação, se houve mudança em seu percurso, do latim ao português. Pretendemos, com isso, validar a proposta de continuum flexão-derivação, mostrando que a mudança morfológica constitui importante evidência empírica de que a diferença entre essas duas áreas da morfologia não é discreta. Nesse intuito, fazemos um trajeto dessa unidade morfológica do latim ao português, sem deixar de contemplar o latim vulgar e o português arcaico. Nossos dados são todos de fontes secundárias, pois partimos de análises já feitas sobre a partícula em perspectivas diferentes da nossa.
O presente trabalho intenta contribuir para a divulgação e avanço do conhecimento linguístico acerca da sufixação no período arcaico da língua portuguesa, a partir de análises que têm como base os aportes descritivistas, cognitivistas e... more
O presente trabalho intenta contribuir para a divulgação e avanço do conhecimento linguístico acerca da sufixação no período arcaico da língua portuguesa, a partir de análises que têm como base os aportes descritivistas, cognitivistas e construcionais (BOOIJ, 2010; GONÇALVES, 2016; SOLEDADE, 2013). Uma vez que a sufixação no português arcaico é demasiadamente vasta, neste artigo, iremos tratar dos esquemas sufixais X-ada1 X-ada2, X-ado, X-do, X-da. Para constituir o corpus da primeira fase, observamos fontes secundárias, i.e., glossários elaborados com base em textos do período arcaico do português e, para a segunda fase, fontes primárias, ou seja, edições de textos arcaicos em prosa datados entre o século XV até meados do XVI.
The 2nd stage of Old Portuguese, also called Middle Portuguese, is a high period of major changes in the history of the Portuguese language. The changes in deverbal noun formation with the suffixes -mento, -ção and -nça have decisively... more
The 2nd stage of Old Portuguese, also called Middle Portuguese, is a high period of major changes in the history of the Portuguese language.
The changes in deverbal noun formation with the suffixes -mento, -ção and -nça have decisively contributed to the codification of inovative concepts and to the new configuration of the derivational patterns of Modern Portuguese. The motivations of the declin of some suffixes forming deadjectival and deverbal nouns are analised in order to evaluate their conformity with the prototipycal solutions of linguistic change. The solutions adopted by some deverbal nouns sharing the same base but containing different suffixes reveal different pathes, in function of the suffixal resources involved and their ‘internal’ and ‘external’ circumstances.
We claim that the unavailability – after the 15th and 16th centuries – of -nça, an archaic and non-learned form, in contrast with the prestigious configuration of the neoclassical -ncia, must be taken as a defining feature of the changes characterizing Middle Portuguese.
Este número reúne relevantes artigos em torno de descrições morfológicas das línguas românicas, além de fontes primárias, resenha e um trabalho de popularização do conhecimento.
O que fazemos na Academia? Texto de popularização do conhecimento científico, elaborado pelo professor Carlos Alberto Faraco.
Resenha crítica do manual "Crítica textual: volume 1", publicado pela Fundação CECIERJ em 2015.
A tradução aqui disponibilizada de Diógenes Laércio, livro X: Epicuro é antecedida de algumas observações sumárias. Trata-se da vida do filósofo grego da antiguidade, Epicuro, que dá nome à filosofia epicurista. Culmina desta forma a... more
A tradução aqui disponibilizada de Diógenes Laércio, livro X: Epicuro é antecedida de algumas observações sumárias. Trata-se da vida do filósofo grego da antiguidade, Epicuro, que dá nome à filosofia epicurista. Culmina desta forma a versão disponível na atualidade do projeto delineado por Diógenes Laércio (séc. III?) para abordar a vida de alguns eminentes filósofos. Abordam-se vários assuntos, como fontes, estilo e estrutura do livro. Assim, questões de foro biográfico do Filósofo do Jardim, carácter, amigos, detratores, afetos/ relacionamentos amorosos, obra, alusão à sua vertente doutrinária, testamento. De igual modo, aspetos relacionados com Epicuro, face ao estoicismo e ao atomismo.
Este texto objetiva disponibilizar dois documentos como fontes primárias, deixando-os à disposição de pesquisadores que possam se beneficiar desses materiais. Apresento uma edição semidiplomática de dois documentos que pertencem ao... more
Este texto objetiva disponibilizar dois documentos como fontes primárias, deixando-os à disposição de pesquisadores que possam se beneficiar desses materiais. Apresento uma edição semidiplomática de dois documentos que pertencem ao Arquivo Público de São Paulo, parte integrante do Acervo do Memorial do Imigrante. Ambos documentos apresentados são do ano de 1911, um está em português e outro está em espanhol.
Em 12 de dezembro de 1838, Bernardo Pereira de Vasconcelos (1795-1850), ministro interino do Império, decidiu o castigo que deveria ser imposto ao aluno de escultura da Academia Imperial de Belas Artes, Honorato Manoel de Lima, por seu... more
Em 12 de dezembro de 1838, Bernardo Pereira de Vasconcelos (1795-1850), ministro interino do Império, decidiu o castigo que deveria ser imposto ao aluno de escultura da Academia Imperial de Belas Artes, Honorato Manoel de Lima, por seu descomedido procedimento e manifesta desobediência, excluindo-o para sempre de dita Academia. Este documento se conserva, assim como a produção documental da Academia Imperial de Belas Artes, no Arquivo Histórico da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, acervo fundamental para o estudo da arte brasileira dos séculos XIX e XX e para a história do ensino artístico no Brasil.
A carta de brasão de armas do fidalgo de cota de armas Rui Gago da Câmara, de 1563, faz parte da coleção Brasões, do Arquivo Nacional, e é representativa da estrutura social da nobreza na transição do medievo para a modernidade. Segundo o... more
A carta de brasão de armas do fidalgo de cota de armas Rui Gago da Câmara, de 1563, faz parte da coleção Brasões, do Arquivo Nacional, e é representativa da estrutura social da nobreza na transição do medievo para a modernidade. Segundo o direito heráldico português, essas cartas não estavam ao alcance de todos os nobres e somente lhes eram merecedores os fidalgos hierarquicamente superiores ao fidalgo de cota de armas. Entretanto, isso foi mudando com o tempo e sua concessão se intensificou. As cartas de armas eram diplomas manuscritos e ricamente iluminados, que concediam a um indivíduo o direito de usar as armas ou o brasão nelas pintado e traziam informações relevantes historicamente, tais como o nome, a naturalidade e a data de nascimento do armigerado, bem como a data da concessão das armas e a descrição heráldica e simbólica do brasão.
O texto propõe que a ação e os discursos de Antônio Vieira se referem aos tratados De legibus (1612) e Defensio fidei (1614), do jesuíta Francisco Suárez, os quais expõem a doutrina do poder da política católica contra as teses do poder... more
O texto propõe que a ação e os discursos de Antônio Vieira se referem aos tratados De legibus (1612) e Defensio fidei (1614), do jesuíta Francisco Suárez, os quais expõem a doutrina do poder da política católica contra as teses do poder político de Lutero, Calvino e Maquiavel.
Esta pesquisa iniciou-se pela necessidade de estudos sobre a gramaticografia maranhense do século XIX e pela relevância do passado para a identidade do povo maranhense. Tendo em vista as condições desfavoráveis da educação no Brasil, em... more
Esta pesquisa iniciou-se pela necessidade de estudos sobre a gramaticografia maranhense do século XIX e pela relevância do passado para a identidade do povo maranhense. Tendo em vista as condições desfavoráveis da educação no Brasil, em particular no Maranhão na primeira metade do século XIX, foi relevante a publicação dos corpora da pesquisa, sendo estes: Compendio da Grammatica Portugueza, de Padre Antonio da Costa Duarte (1829); Grammatica Elementar da Lingua Portugueza, de Filippe Benicio de Oliveira Conduru (1850); Postillas de Grammatica Geral, Applicada á Lingua Portugueza pela Analyse dos Classicos(1862) e Grammatica Portugueza Accommodada aos Principios Geraes da Palavra Seguidos de Immediata Applicação Pratica(1871), de Francisco Sotero dos Reis. Dessa forma, objetiva-se verificar a presença de nacionalismo linguístico no corpo das obras em análise. A fundamentação teórica desse artigo estrutura-se nos estudos realizados por Cabral (1984); Ribeiro (2000); Orlandi (2000); Guimarães (2005); e Melo (2012). A metodologia fundamenta-se nos princípios da Historiografia Linguística, ao contextualizar a economia, o social, a política e a educação no século XIX, para compreensão do período. Assim sendo, como resultados finais, obteve-se a seleção de vocábulos que determinam a presença de nacionalismo linguístico no corpus analisado. Dentre eles, palavras de matriz indígena, africana e substantivos próprios e adjetivos pátrios nacionais, assim como foi o processo de construção e inserção destes no cotidiano do povo maranhense.
O presente artigo apresenta, de forma sucinta, a importância do estabelecimento e da solidificação da Filologia Germânica nos curricula universitários dos cursos de Graduação ligados à área de Língua e Literaturas de Língua Alemã como... more
O presente artigo apresenta, de forma sucinta, a importância do estabelecimento e da solidificação da Filologia Germânica nos curricula universitários dos cursos de Graduação ligados à área de Língua e Literaturas de Língua Alemã como ciência inter e transdisciplinar, propiciadora de análises mais abrangentes sobre a cultura expressa em língua alemã nos textos literários da Baixa e Alta Idade Média. A partir de um sucinto quadro panorâmico acerca dos estudos acadêmicos no Brasil relacionados com a Filologia Germânica enquanto ciência da linguagem e centrando nossa atenção à produção literária em alemão no Alto e Baixo Medievos, assim como, a partir de algumas reflexões e experiências didáticas empreendidas até agora, procurar-se-á demonstrar a relevância e pertinência de uma abordagem centrada nos estudos filológicos e culturais para a viabilização de práticas interdisciplinares, em que os textos literários possam servir de testemunho e documento da época estudada.
O objetivo deste artigo é apresentar o atual estágio do processo de constituição de corporahistóricos para o estudo da língua portuguesa em terras mineiras no decorrer dos séculos XIX e XX. Com base na produção de conservadoras edições de... more
O objetivo deste artigo é apresentar o atual estágio do processo de constituição de corporahistóricos para o estudo da língua portuguesa em terras mineiras no decorrer dos séculos XIX e XX. Com base na produção de conservadoras edições de documentos pessoais e oficiais, à luz das orientações teórico-metodológicas de Bergs (2005); Conde Silvestre (2007); Hernández-Campoy e Conde Silvestre (2012), buscamosexpor algumas evidências de edições de atas, estatutos confrariais,receitas culináriasecartas pessoaisproduzidas por mineiros entre os séculos XIX e XX.A proposta é a de apresentar amostras históricas representativas dos acervos históricos de Minas Gerais até o momento levantadas e estudadas no âmbito da FALE/UFMG,tendo em vista, por exemplo, o fato de as cartas mais íntimas (familiares e amorosas) mostrarem-se preferencialmente mais transparentes em relação à explicitação de traços linguísticos da norma de uso (CUNHA, 1985) do PB, cf. discutido por Rumeu (2013).Em contrapartida, nas atasdo IHGMG e nos estatutos confrariais, prevemos a expressão não só da escrita culta mineira cujo contexto de escritura é de elevado grau de formalismo, mas também de pistas do contexto histórico-social. Acreditamos, pois, em conformidade com Lobo (2001), que conservadoras edições de manuscritos históricos (oficiais ou não-oficiais) correspondam aos desejos do linguista-pesquisador ávido por fontes fidedignas ao estudo da estruturação da pluralidade de normasdo português brasileiro, cf. Callou, Barbosa e Lopes (2006).
Com base na perspectiva de que as características culturais e sociais estão arraigadas na estrutura lexical de uma língua, este texto tem como objetivo discutir e demonstrar, com base na análise de três autos de partilhas manuscritos na... more
Com base na perspectiva de que as características culturais e sociais estão arraigadas na estrutura lexical de uma língua, este texto tem como objetivo discutir e demonstrar, com base na análise de três autos de partilhas manuscritos na Vila de Catalão nos oitocentos, considerações que dizem respeito a categorização lexical. Para que isso fosse alçado, o texto foi organizado na seguinte ordem: (i) discussão teórica sobre língua e léxico, fundamentados em autores como Biderman (2001), Vilela (1979), Coseriu (1977), Paula (2005), entre outros; (ii) caracterização dos manuscritos analisados, a saber, um processo de partilha e inventário de bens de Joze Ribeiro da Silva, exarado em 1839, um processo de conto de testamento de bens de Joaquim Jose da Silva, lavrado em 1841, e um processo de partilha e inventário de bens de Claudio Francisco Ferreira, publicado em 1851; (iii) breve contextualização histórica de Catalão do século XIX, com base nos autores Palacín (1994) e Azzi (1937); (iv) arrolagem dos itens lexicais que se referiam aos bens deixados em herança; (v) análise semântica dos bens listados, com o auxílio das definições de Morais Silva (1813). O léxico é um conjunto de lexemas que estruturam um sistema aberto linguístico, por isso é impossível que todos saibam e utilizem os mesmos itens lexicais, sendo assim, cada comunidade escolhe o seu vocabulário com base nas suas realidades. Portanto as lexias, como escravo e carro de boi arquivadas manuscritamente nos autos, são representações da realidade socioculturais dos sujeitos catalanos, em parte do século XIX.
Esta é uma versão, com pouquíssimas modificações, do texto apresentado na mesa-redonda: “Espaços e configurações do labor filológico”, do evento intitulado Encontros com a Filologia, ocorrido na Faculdade de Letras da UFRJ, no segundo... more
Esta é uma versão, com pouquíssimas modificações, do texto apresentado na mesa-redonda: “Espaços e configurações do labor filológico”, do evento intitulado Encontros com a Filologia, ocorrido na Faculdade de Letras da UFRJ, no segundo semestre de 2018. O texto é um relato de parte do percurso acadêmico de uma das fundadoras do Laboratório de Ecdótica da UFF (LABEC-UFF), sua Coordenadora até o momento, assim como da fundação do referido Laboratório e das atividades desenvolvidas naquele espaço. Versa também sobre a tradição e a inovação que ele, o Labec-UFF, representa ou busca representar nos estudos filológicos, no meio universitário e fora dos muros da academia, tradição essa que tem raízes comuns e estabelece um diálogo da UFF com a UFRJ, nessa área tão importante para os estudos linguísticos e literários, não esquecendo a autora deste texto de buscar trabalhar também com a proposta de Walter Benjamin de “escovar a história a contrapelo”.
O objetivo deste artigo é dar notícias sobre o processo de edição que vem sendo realizado no âmbito do Laboratório de Estudos Filológicos (LabEFil) com três coleções documentais sob os mesmos preceitos metodológicos. A primeira coleção... more
O objetivo deste artigo é dar notícias sobre o processo de edição que vem sendo realizado no âmbito do Laboratório de Estudos Filológicos (LabEFil) com três coleções documentais sob os mesmos preceitos metodológicos. A primeira coleção corresponde a um conjunto documental que compreende a narrativa da Dama Pé de Cabra; a segunda, às cartas do reverendo Robert Reid Kalley (séc. XIX); e a terceira, às cartas da coleção pessoal Didola (séc. XX).
A Biblioteca José de Alencar, idealizada e inaugurada pelo Professor Afrânio Coutinho em 09 de abril de 1969, é fonte de história, patrimônio, memória, pesquisa e leitura, referência na América Latina por seu acervo riquíssimo na área de... more
A Biblioteca José de Alencar, idealizada e inaugurada pelo Professor Afrânio Coutinho em 09 de abril de 1969, é fonte de história, patrimônio, memória, pesquisa e leitura, referência na América Latina por seu acervo riquíssimo na área de Linguística, Filologia e Literatura. Os exemplares raros, as primeiras edições, as obras autografadas e os livros com edições esgotadas foram reunidos no Museu de Língua e Literatura. A inauguração da BJA ocorreu com uma exposição de obras selecionadas, das coleções da Biblioteca da antiga Faculdade Nacional de Filosofia, da Biblioteca Central da Universidade e de coleções particulares de maior importância bibliográfica como: Coleção Camoniana, Coleção Eciana, Coleção Adir Guimarães, Coleção Shakespeariana, Coleção Bastos Tigre. Em 06 de março de 1985, a Biblioteca José de Alencar foi reinaugurada no campus universitário da Ilha do Fundão. Em 1994, foram adquiridas as coleções dos professores Celso Cunha e Afrânio Coutinho, esta especializada em Literatura e Crítica Literária. De 1969 até 2019 a Biblioteca José de Alencar cresceu sobremaneira. Seus trabalhos técnicos passaram a ser informatizados através da base de dados Aleph, tanto os serviços de catalogação em 2003, quanto de circulação, em 2010. Em 2016 foi criada a Oficina de Conservação e Restauração. Através de projetos com o SiBI e também com professores da Faculdade de Letras da UFRJ, pretende-se conseguir recursos para digitalizar algumas obras do Museu de Língua e Literatura e também da Coleção Celso Cunha, a fim de preservar acervos, a memória e a história da literatura.
Durante o I Colóquio Luso-Brasileiro de Paleografia, realizado no Arquivo Nacional em maio de 2017, um dos palestrantes citou várias instituições mantenedoras de documentos antigos ou modernos cuja leitura exige conhecimentos de... more
Durante o I Colóquio Luso-Brasileiro de Paleografia, realizado no Arquivo Nacional em maio de 2017, um dos palestrantes citou várias instituições mantenedoras de documentos antigos ou modernos cuja leitura exige conhecimentos de Paleografia. A Fundação Biblioteca Nacional, cuja Divisão de Manuscritos possui cerca de um milhão de itens, não foi sequer mencionada. Este artigo se destina, em primeiro lugar, a refletir sobre as causas dessa aparente invisibilidade dos documentos arquivísticos custodiados pela instituição. Destacamos entre elas a prática de perpetuar uma metodologia de trabalho construída com base no que se praticava nos primeiros tempos da Biblioteca Nacional, quando a Biblioteconomia não estava consolidada como ciência no Brasil, e, nas décadas seguintes, a dificuldade de dar capacitação aos servidores da casa, tendo em vista a não-obrigatoriedade do estudo de Paleografia na maior parte dos cursos de Biblioteconomia e a pouca oferta de cursos e pós-graduações. Em contrapartida, mostramos como o diálogo entre a Biblioteca Nacional e várias outras instituições custodiadoras de acervo arquivístico, no Brasil e no exterior, se estreitou nos últimos anos, com a adoção de novos métodos e critérios de descrição e disponibilização do acervo e um esforço tanto institucional quanto pessoal para agregar novas competências, inclusive no campo da Paleografia. Também levantamos alguns pontos sobre a divulgação do acervo, mostrando como iniciativas simples - tais como a publicação de manuscritos e transcrições na Revista de História da BN e nas redes sociais - vêm dando visibilidade aos documentos e despertando o interesse do público.
Dentre suas atividades destinadas à gestão, à preservação e ao acesso dos documentos arquivísticos do Poder Executivo Federal, o Arquivo Nacional (AN) também oferece ao cidadão brasileiro o serviço de emissão de certidões, atendendo aos... more
Dentre suas atividades destinadas à gestão, à preservação e ao acesso dos documentos arquivísticos do Poder Executivo Federal, o Arquivo Nacional (AN) também oferece ao cidadão brasileiro o serviço de emissão de certidões, atendendo aos seus usuários nas demandas por documentos comprobatórios para garantia de direitos civis como a posse de um imóvel, um registro de matrimônio ou o registro de chegada ao Brasil de algum ascendente familiar. Dos séculos XIX e XX, a leitura e as transcrições paleográficas desses documentos permanentes demandam experiência e prática constante em busca de melhorias desse serviço prestado ao cidadão brasileiro. Projetos de digitalização do acervo contribuem para essa atividade, assim como para a preservação dos originais e ampliação do acesso à informação.
A pesquisa filológica realizada é uma das etapas do Projeto “Posição do sujeito e estrutura informacional da sentença na história do Português Brasileiro”, que tem como principal objetivo analisar a sintaxe da posição do sujeito. Esta... more
A pesquisa filológica realizada é uma das etapas do Projeto “Posição do sujeito e estrutura informacional da sentença na história do Português Brasileiro”, que tem como principal objetivo analisar a sintaxe da posição do sujeito. Esta etapa consiste da reunião de documentos, através de sua digitalização por meio de fotografia, transcrição e edição dos mesmos, para compor o Corpus do Laboratório de História da Língua (HistLing). Os documentos são compostos por cartas pessoais trocadas entre os familiares de Benjamin Constant da segunda metade do século XIX até o início do século XX. Essas cartas fazem parte do acervo de documentos do Fundo Família Benjamin Constant, disponibilizado pelo Museu Casa Benjamin Constant, situado no bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro e que está sob os cuidados do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).
De posse da edição crítica de Senhora, de José de Alencar, e de outras nove edições provenientes de diversas fontes - internet, biblioteca da Faculdade de Letras da UFRJ e de acervos pessoais -, foi feita uma análise comparativa apoiada... more
De posse da edição crítica de Senhora, de José de Alencar, e de outras nove edições provenientes de diversas fontes - internet, biblioteca da Faculdade de Letras da UFRJ e de acervos pessoais -, foi feita uma análise comparativa apoiada nos conceitos expostos no livro Introdução à Crítica Textual, de César Nardelli Cambraia (2005). O trabalho, desenvolvido para a avaliação final da disciplina Introdução à Filologia do curso de Letras da UFRJ, em 2016.2, visou a tentar encontrar as diferenças entre as edições disponíveis para estudo, além de também tentar agrupá-las de acordo com suas possíveis edições de origem. Para tal, foi seguida a metodologia de Bassetto (2001): recensio, collatio codicum e estemática. Ainda foram levados em conta os elementos da crítica histórico-literária (BASSETTO, 2001): circunstância, unidade e integridade e linguagem do texto. Foram então observados erros de cópia em todos os volumes, erros estes que geram consequências gramaticais, semânticas, estilísticas e até mesmo históricas. Assim, o trabalho em questão também propõe discutir esses efeitos no momento de leitura e análise da obra.
O presente trabalho, um recorte de um trabalho de conclusão de curso, apresenta as edições fac-similar e semidiplomática dos artigos preliminares do matrimônio de D. Maria Ana Vitória com D. Gabriel, documento setecentista datado de 1784,... more
O presente trabalho, um recorte de um trabalho de conclusão de curso, apresenta as edições fac-similar e semidiplomática dos artigos preliminares do matrimônio de D. Maria Ana Vitória com D. Gabriel, documento setecentista datado de 1784, conservado no Museu Imperial localizado em Petrópolis, Rio de Janeiro. No âmbito da filologia e da paleografia, partimos de estudos de grandes autores como Cambraia (2005) e Spina (1994), de modo a conceituar tais termos e demonstrar seus objetivos e sua importância para o presente trabalho. Quanto aos aspectos filológicos-paleográficos, a partir das edições fac-similar e semidiplomática dos artigos preliminares do matrimônio de D. Maria Ana Vitória com D. Gabriel, realizamos a análise dos seguintes aspectos: mapeamento do alfabeto,uso de letras maiúsculas, fronteira de palavras e separação vocabular, alografia, abreviaturas e, por fim, reclames.
O presente artigo mostra a pesquisa, em fase inicial, a qual focaliza um tipo de fonte documental não literária, tendo em vista a capitalização de conhecimento sobre o português de setecentos: a carta de mercadores, situada, em termos de... more
O presente artigo mostra a pesquisa, em fase inicial, a qual focaliza um tipo de fonte documental não literária, tendo em vista a capitalização de conhecimento sobre o português de setecentos: a carta de mercadores, situada, em termos de taxonomia tipológica, na esfera da administração privada. Constata-se, ainda, no entanto, o campo do ignoramos no que se refere ao período. Os corpora selecionados, transcritos com rigor filológico, de acordo com os parâmetros de um projeto mais amplo, o PHPB, é uma contribuição para iluminar, pois, uma fase linguística de transição. Tenciona-se exemplificar, de forma preliminar, peculiaridades paleográficas do tempo, vigentes na compilação e contextualizadas em fatores sócio-históricos. Caracteriza-se, por fim, o rotulo “carta comercial” de acordo com suas especificidades filológicas, discursivas e textuais, bem como as categorias “mãos hábeis / mãos inábeis”, quanto ao desempenho dos missivistas, em função, também, de identidades linguísticas dos textos.
A edição e as reflexões aqui apresentadas surgem como um dos resultados do processo de prospecção de documentos no Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) no contexto do Projeto M.A.P. - Mulheres na América Portuguesa. As visitas... more
A edição e as reflexões aqui apresentadas surgem como um dos resultados do processo de prospecção de documentos no Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) no contexto do Projeto M.A.P. - Mulheres na América Portuguesa. As visitas de prospecção tiveram por propósito a contribuição para a ampliação do mapeamento de documentos escritos por mulheres ou nos quais mulheres figurem em posição central durante a América Portuguesa (1500-1822). A partir da prospecção das pastas do fundo da Secretaria de Governo da Capitania de São Paulo, localizado no APESP, e da subsequente leitura e seleção de quatro documentos pertinentes dentro da pasta identificada como 1.1.697, foram realizados o registro e a catalogação desses documentos, bem como a edição semidiplomática e as análises diplomáticas, paleográficas e codicológicas. Para este artigo, elegeu-se a carta identificada com o número 23, escrito a lápis no recto do primeiro fólio, de autoria de Françisca Maria Xavier de Castro. Durante o processo de edição, foi possível levantar hipóteses sobre o contexto histórico e social da autora. Alfabetizada, dona de pessoas escravizadas e responsável pelas próprias finanças, Françisca Maria Xavier de Castro pode ser vista como um desvio da imagem criada com base em estereótipos reproduzidos pela historiografia e que caracteriza a mulher branca como sempre submissa e ausente, tanto das relações sociais em comunidade como das decisões econômicas dentro do próprio lar. São apresentadas as edições fac-similar, semidiplomática e modernizada do documento. Além disso, propõe-se um conjunto de normas para a edição modernizada.
O presente trabalho tem como objetivo defender a tese de que o ordenamento jurídico brasileiro, em especial a Lei nº 9.610/1998 (Lei de Direito Autorais), protege integralmenteuma edição realizada segundo os princípios da crítica textual,... more
O presente trabalho tem como objetivo defender a tese de que o ordenamento jurídico brasileiro, em especial a Lei nº 9.610/1998 (Lei de Direito Autorais), protege integralmenteuma edição realizada segundo os princípios da crítica textual, uma vez que o trabalho do editor, pautado por esses princípios, constitui uma atividade de criação, conferindo o estatuto de autor ao editor e de obra intelectual à sua edição. Para tal, procedeu-se a uma breve exposição das quatro principais normas que tratam dos direitos autorais no Brasil (Constituição da República Federativa do Brasil, Código Penal, Convenção de Berna e Lei nº 9.610/1998), uma análise de termos técnicos relevantes da Lei nº 9.610/1998 (autor, obra intelectual, editor, reprodução, publicação, distribuição e edição) e, por fim, uma demonstração de três procedimentos do editor, dentre os vários existentes, que comprovam ser seu trabalho uma atividade de criação (escolha de variantes, desenvolvimento de abreviaturas e representação de caracteres do modelo). A proteção integral dos direitos autorais de um editor compreende não apenas as seções que ele redigiu (introdução, comentários, notas, etc.) mas também o texto estabelecido por ele (mesmo que a obra que é objeto de sua edição esteja em domínio público).
Este número reúne relevantes artigos em torno da Filologia, além de fontes primárias, tradução, resenha e um trabalho de popularização do conhecimento.
Este artigo tem como principal intuito a apresentação da edição fac-similar e semidiplomática de uma carta produzida por uma escrevente brasileira ainda no início da 2a metade do século XIX (1858). A relevância da edição desse conjunto de... more
Este artigo tem como principal intuito a apresentação da edição fac-similar e semidiplomática de uma carta produzida por uma escrevente brasileira ainda no início da 2a metade do século XIX (1858). A relevância da edição desse conjunto de cartas reside principalmente no fato de tratar-se de missivas pessoais que não só nos dão notícias acerca da dinâmica da lavra de minérios em Minas Gerais, mas também trazem à cena a dinâmica das relações familiares. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma fonte para futuras análises acerca de relevantes aspectos da história social e da história linguística do português Brasileiro na 2a metade do século XIX a serem desvendados com base nas cartas ao Barão de Cocais.
O códice 10631 disponível no repositório da Biblioteca Nacional de Portugal <http://purl.pt/14392> é um documento que contém relatos do 2º Marquês do Lavradio, 11º vice-rei do Brasil para os governadores de várias capitanias do Brasil, no... more
O códice 10631 disponível no repositório da Biblioteca Nacional de Portugal <http://purl.pt/14392> é um documento que contém relatos do 2º Marquês do Lavradio, 11º vice-rei do Brasil para os governadores de várias capitanias do Brasil, no século XVII. Esse códice é composto por 169 cartas. Desse grupo, 10 endereçadas ao governador da capitania de São Paulo — Senhor Martim Lopez Lobo de Saldanha, já foram feitas edições semidiplomáticas fac-similares durante minha Iniciação Científica. Essas missivas tratam de assuntos relacionados ao governo e de suas defesas perante às ameaças de ataque das forças castelhanas.  Nesta publicação, apresentaremos, de forma simples e sucinta uma dessas cartas. Vale destacarmos que esse texto é uma produção contextualizada, portadora de acontecimentos históricos importantes para a história do Brasil e merece ser preservada de maneira acessível, a fim de que outros pesquisadores de áreas diversas tenham acesso à essa fonte primária.
Documentos cartográficos são importantes fontes de informação para várias áreas do conhecimento, inclusive para a Toponímia, já que fornecem objetos de análise para os estudos. Partindo desse pressuposto, objetivamos explicitar os... more
Documentos cartográficos são importantes fontes de informação para várias áreas do conhecimento, inclusive para a Toponímia, já que fornecem objetos de análise para os estudos. Partindo desse pressuposto, objetivamos explicitar os registros de geomorfotopônimos verificados no mapa da Capitania de Minas Gerais produzido por José Joaquim da Rocha, em 1777, correspondendo ao recorte do trabalho de Dissertação intitulado “Geomorfotopônimos Históricos” (GOMES, 2019). Mostramos que o documento cartográfico fornece informações linguísticas e geográficas de grande valor histórico e cultural, principalmente, por permitir resgatar e analisar o topônimo histórico como forma de conhecimento. Desse modo, ressaltamos o valor dos documentos cartográficos históricos como ferramentas valiosas de pesquisa.
Este texto tem como objetivo o estabelecimento da edição semidiplomática de um dos documentos da Coleção Alberto Lamego, pertencente ao Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP). O manuscrito... more
Este texto tem como objetivo o estabelecimento da edição semidiplomática de um dos documentos da Coleção Alberto Lamego, pertencente ao Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP). O manuscrito relata uma instrução dada pelo rei a Agostinho José da Costa e Estácio Manuel de Aragão Carneiro, para que resgatassem escravizados que estavam presos no Porto de Tânger. O documento configura-se como uma rica fonte primária tanto para linguistas, como para historiadores e demais interessados no tema da escravidão no Império Português. Acompanham a edição breves comentários de ordem paleográfica e codicológica.
O presente estudo pretende demonstrar a utilidade do Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Português (TLPGP) como vertente complementar à informação contida no Atlas Lingüístico Galego (ALGa) e no Atlas Linguístico-Etnográfico de... more
O presente estudo pretende demonstrar a utilidade  do Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Português (TLPGP) como vertente complementar à informação contida no Atlas Lingüístico Galego (ALGa) e no Atlas Linguístico-Etnográfico de Portugal e da Galiza (ALEPG). Para tal, far-se-á um estudo dos itens lexicais contidos nas respostas obtidas a quatro conceitos cartografados nos dois atlas (via láctea, arco-íris, cume e queixo) e às respostas existentes no TLPGP para esses mesmos conceitos.
Este artigo apresenta um estudo do emprego dos itens lexicais manicômio e hospital psiquiátrico nas décadas de 1930 e 2000, sob o ponto de vista sócio-histórico do léxico da língua portuguesa. Através da análise do corpus composto pelo... more
Este artigo apresenta um estudo do emprego dos itens lexicais manicômio e hospital psiquiátrico nas décadas de 1930 e 2000, sob o ponto de vista sócio-histórico do léxico da língua portuguesa. Através da análise do corpus composto pelo acervo do extinto Jornal do Brasil, disponível na Hemeroteca Digital na Internet, propomos uma investigação dos fatores sociais e históricos que possam ter influenciado na escolha lexical desses dois termos ao longo dos anos. Após a análise de 200 ocorrências dos itens, 100 de cada sincronia, foram coletadas as 25 palavras mais frequentes associadas a cada um dos quatro grupos analisados (manicômio e hospital psiquiátrico, nas décadas de 1930 e 2000). Assim, poderíamos supor as motivações para o uso dos termos em questão. O item lexical manicômio se mostrou, ao final do estudo, mais associado a situações trágicas e socialmente reprovadas, com predominância na década anterior, ao passo que hospital psiquiátrico passou a ser utilizado posteriormente, acompanhado de uma maior sensibilidade social quanto à questão da saúde mental e questões como dependência de drogas e ambientes sanitários.
A reflexão sobre o conceito de movimento remonta à filosofia grega pré-socrática, associada a outros conceitos como os de tempo, de mudança e metamorfose. É histórica a contenda entre Parménides (imobilidade) e Heráclito de Éfeso, para... more
A reflexão sobre o conceito de movimento remonta à filosofia grega pré-socrática, associada a outros conceitos como os de tempo, de mudança e metamorfose. É histórica a contenda entre Parménides (imobilidade) e Heráclito de Éfeso, para quem na natureza, na vida e na sociedade tudo é dinâmico. Mais tarde, Aristóteles sintetizou estas duas posições e o conceito de movimento, frequentemente associado a mudança e devir, torna-se num dos principais desafios colocados ao pensamento aristotélico. O filósofo traça uma teoria do movimento, dividindo-o em deslocamento no espaço (traslação), substância (geração), mudança quantitativa (aumento e diminuição) e mudança qualitativa (alteração). Neste sentido, estão lançadas as bases para a máxima tomista: Tudo o que se move é movido por alguma coisa.

Do ponto de vista lexical, uma recolha (e respetiva análise) dos verbos que carregam o sema de movimento permitirá traçar um percurso da forma como o sujeito se relaciona desde sempre com tudo o que o rodeia, sendo ainda mais pertinente verificar a existência de pontos de contacto e de afastamento entre línguas como o galego e o português que partilham não só uma fronteira, como também uma história.
A expansão do domínio do uso do mirandês incrementou a criação de léxico adequado a novas necessidades de expressão, nomeadamente no âmbito do discurso de pendor académico.A criação de produtos derivados assenta, por um lado, na... more
A expansão do domínio do uso do mirandês incrementou a criação de léxico adequado a novas necessidades de expressão, nomeadamente no âmbito do discurso de pendor académico.A criação de produtos derivados assenta, por um lado, na utilização de constituintes morfológicos (bases e afixos) atestados na língua e, por outro, no recurso a modelos existentes no léxico português. A análise de um corpus de textos académicos, incidindo sobre o uso de nomes derivados eventivos e de qualidade, permitiu observar algumas tendências na geração desses produtos. Identificaram-se como afixos mais frequentes e produtivos -mient(o)/-ment(o) e -(i/e/a)dad(e), noseventivos e nos nomes de qualidade, respetivamente. Além disso, apesar de uma associação estável entre bases lexicais e afixos, observa-se uma variação alomórfica de bases, mas, sobretudo, dos sufixos. No corpus em análise não é possível definir claramente critérios morfofonológicos de distribuição dos alomorfos dos diversos sufixos. Os frequentes casos de alomorfia, porém, parecem constituir sintomas de um processo de estandardização em curso, mas longe da estabilização.
Tomando como parâmetro a concepção de fraseologia como sequências polilexicais com relativa estabilidade sintática e semântica (locuções, expressões idiomáticas, frases feitas), este trabalho discute um recorte de locuções que se reportam... more
Tomando como parâmetro a concepção de fraseologia como sequências polilexicais com relativa estabilidade sintática e semântica (locuções, expressões idiomáticas, frases feitas), este trabalho discute um recorte de locuções que se reportam ao universo lexical pantaneiro (bioma brasileiro), extraído de obras de referência que integram o acervo de dados do Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Português (http://ilg.usc.es/Tesouro/pt/), mais especificamente as obras produzidas no Brasil por Nogueira (1989; 2002) e Brandão (2001). Considerando que os fraseologismos muitas vezes têm empregos típicos e descrevem o contexto no qual são usados, podendo ter características idiomáticas e conter conotações e funções distintas, neste trabalho, busca-se estabelecer relações entre aspectos culturais pantaneiros e o conteúdo semântico da amostra de locuções examinada. Para tanto, pauta-se, fundamentalmente, em Casares (1992 [1950]), Zuluaga (1980), Corpas Pastor (1996), Ruiz Gurillo (1997; 2001), García-Page (2008), além de fontes sobre o universo pantaneiro e de obras gramaticais e lexicográficas. A amostra analisada reuniu 17 locuções (oito substantivas; seis verbais e três adjetivas) que evidenciam os seguintes aspectos do universo pantaneiro: a) associação entre animais ou partes da anatomia dos animais e os objetos de uso diário ou meios de transporte; b) associação entre comportamento animal e o próprio animal; c) associação entre flora e objetos ou ações e d) associações com o folclore popular.
La presencia de diversas variedades lingüísticas (tanto constitutivas como consecutivas), su desigual alcance geográfico y el permanente contacto entre algunas de ellas son factores determinantes de la existencia de elementos léxicos de... more
La presencia de diversas variedades lingüísticas (tanto constitutivas como consecutivas), su desigual alcance geográfico y el permanente contacto entre algunas de ellas son factores determinantes de la existencia de elementos léxicos de distintos orígenes diatópicos a lo largo del vasto territorio que separa España y Portugal. En el presente estudio —a partir de los materiales proporcionados por los repertorios lexicográficos que estamos manejando para la realización del Tesoro léxico de la frontera hispano-portuguesa—, se exponen algunos problemas que afectan al origen del vocabulario y se propone una categorización de los elementos léxicos que se localizan a lo largo de la línea que separa longitudinalmente ambos Estados: desde el noroeste de Zamora hasta el suroeste de Huelva y desde el noreste de Bragança al sureste de Faro. Las categorías analizadas permiten observar la influencia que el castellano y el portugués han ejercido fuera del territorio administrativo en el que son lenguas oficiales, así como particularizar la zona fronteriza, caracterizada por el uso de un vocabulario propio, con respecto a los dos países. El léxico seleccionado para nuestro corpus dialectal presenta como nota común el hecho de pertenecer al vocabulario diferencial: o bien son formas que carecen de consideración normativa en la lengua oficial del país en el que se documentan, o bien son términos españoles usados en Portugal o términos portugueses empleados en España.
Este artigo tem como objetivo apresentar um estudo comparativo de acepções de variantes léxicas presentes no Brasil e as variantes registradas no Português Europeu e no Galego. Para realizar o levantamento de variantes, partimos do uso da... more
Este artigo tem como objetivo apresentar um estudo comparativo de acepções de variantes léxicas presentes no Brasil e as variantes registradas no Português Europeu e no Galego. Para realizar o levantamento de variantes, partimos do uso da ferramenta eletrônica pertencente ao projeto Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Português (ÁLVAREZ, 2017), ferramenta esta que nos permite consultar variantes e lemas de obras de cunho dialetal e lexicográfico. Tomaremos como base para este estudo sete itens lexicais pertencentes ao campo semântico da agricultura/atividades agropastoris, a saber: angu, canga, espiga, moringa, paneiro, penca e sabugo. O mapeamento dessas variantes visa observar o status das acepções, se são comuns ou distantes nos três territórios (Brasil, Portugal e Galícia).
O emprego de datos lingüísticos xeorreferenciados tomados no mesmo territorio en diferentes períodos temporais permite facer unha análise secuencial e mostrar a evolución de determinados fenómenos no espazo e no tempo. Neste traballo... more
O emprego de datos lingüísticos xeorreferenciados tomados no mesmo territorio en diferentes períodos temporais permite facer unha análise secuencial e mostrar a evolución de determinados fenómenos no espazo e no tempo. Neste traballo empregaremos materiais recollidos no territorio administrativo de Galicia para tres proxectos diferentes: o Atlas Lingüístico de la Península Ibérica (ALPI, 1934-1935), o Atlas Lingüístico Galego (ALGa, 1974-1977) e a chamada Nova Enquisa (NEnq, 2008), desenvolvida especificamente para obter información máis recente que se puidese comparar cos dous proxectos anteriores. Estudaremos tres modelos de evolución da distribución espacial de variables léxicas: i) mantemento da distribución dunha variante, ii) extensión dunha variante galega e iii) extensión dunha variante non galega. Falaremos, ademais, de variación cuantitativa en relación co número de variantes recollidas en cada proxecto para unha determinada variable.
No vale de Xálima (Cáceres) falam-se três variedades (manhego em São Martinho de Trebelho, lagarteiro em As Elhas e valverdeiro em Valverde do Fresno) de uma língua cujo glotónimo consensual, embora controverso, é A Fala. Desde o boom dos... more
No vale de Xálima (Cáceres) falam-se três variedades (manhego em São Martinho de Trebelho, lagarteiro em As Elhas e valverdeiro em Valverde do Fresno) de uma língua cujo glotónimo consensual, embora controverso, é A Fala. Desde o boom dos anos 90, foram muitos os investigadores que realizaram estudos sobre estas variedades; todavia, a maioria deles centraram-se em determinar a origem e adscrição linguística das mesmas, pelo que ainda são necessários mais trabalhos descritivos em todos os campos da língua, especialmente no léxico.

A partir de uma recolha do léxico disponível de A Fala do vale de Xálima, propomo-nos analisar as variações encontradas em dois centros de interesse: animais e plantas.
Este artigo traz um recorte semântico-lexical do projeto de atlas linguístico da região do Médio Tietê, no Estado de São Paulo, Brasil. Dentre as dez localidades que perfazem a rede de pontos de investigação, apresentamos aqui dados do... more
Este artigo traz um recorte semântico-lexical do projeto de atlas linguístico da região do Médio Tietê, no Estado de São Paulo, Brasil. Dentre as dez localidades que perfazem a rede de pontos de investigação, apresentamos aqui dados do município de Santana de Parnaíba (SdP). Trata-se de dez questões onomasiológicas respondidas por informantes de perfis sociais distintos. As perguntas foram extraídas do questionário semântico-lexical do Atlas linguístico do Brasil (CARDOSO, 2014) e aplicadas após modificações. Elas tematizam características pessoais, fenômenos e entes no mundo físico, cujas respostas mais frequentes em SdP foram RAIZ, URUBU, JOÃO-DE-BARRO, VAREJEIRA, TERÇOL, CATARRO, TAGARELA, MÃO-DE-VACA, BALANÇO e INTERRUPTOR. Para a elicitação, aplicou-se a técnica de entrevista em três passos, que basicamente consiste em (i) perguntar, (ii) insistir e (iii) sugerir (THUN, 2000). O objetivo do presente texto é (a) sistematicamente expor e brevemente comentar as (primeiras) respostas espontâneas dos parnaibanos. Adicionalmente, apresentamos: (b) três critérios de invalidação de respostas; (c) correlações internas linguístico-sociais; (d) contrastes das normas lexicais e formas mais frequentes apuradas em SdP com resultados de seis atlas linguísticos fora do perímetro da região do Médio Tietê; e (e) observações linguísticas complementares acerca das lexias. No Brasil, a pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), no âmbito do Projeto para a História do Português Paulista (PHPP), e, na Alemanha, pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD).
En el presente trabajo se reconstruyen las bases atlánticas del vocabulario azucarero durante la época bajomedieval y la adopción de esta terminología por los primeros ingenios coloniales españoles. El testimonio documental se ha tomado... more
En el presente trabajo se reconstruyen las bases atlánticas del vocabulario azucarero durante la época bajomedieval y la adopción de esta terminología por los primeros ingenios coloniales españoles. El testimonio documental se ha tomado directamente de los registros de archivos y se complementa con los materiales que proporcionan los corpus lexicográficos y las bases de datos, tanto portuguesas como españolas. Estas fuentes permiten conocer el origen, la historia, la evolución y la difusión americana de este conjunto léxico durante todo el Renacimiento hasta que, en el siglo XVIII, comienza a integrarse en los diccionarios.
O artigo examina o léxico do português brasileiro numa dupla perspectiva, a diatópica e a diacrônica. Fundamentado na realidade de dois estados brasileiros e com base em dados do Atlas Prévio do Falares Baianos (ROSSI, 1963), do Atlas... more
O artigo examina o léxico do português brasileiro numa dupla perspectiva, a diatópica e a diacrônica. Fundamentado na realidade de dois estados brasileiros e com base em dados do Atlas Prévio do Falares Baianos (ROSSI, 1963), do Atlas Lingüístico do Paraná (AGUILERA, 1994) e do corpus  do Projeto Atlas Linguístico do Brasil, o trabalho descreve a realidade areal dos dois estados, aponta, descrevendo-as, as coincidências e divergências e assinala a possível variação no tempo.
Este volume recolle un ramallete de traballos sobre a variación léxica no espazo galegoportugués, desde distintas perspectivas de estudo e con olladas lanzadas desde Galicia e Portugal, en Europa, e desde O Brasil, na América, cunha... more
Este volume recolle un ramallete de traballos sobre a variación léxica no espazo galegoportugués, desde distintas perspectivas de estudo e con olladas lanzadas desde Galicia e Portugal, en Europa, e desde O Brasil, na América, cunha paradiña, en tránsito, desde o arquipélago das Canarias. Por iso o seu primeiro título, que lembra a galegos e portugueses incitados por igual a sucar os mares do mundo, e en particular este océano que nos une co Brasil, en permanente viaxe de ida e volta. E por iso, tamén, a dedicatoria a Suzana Cardoso, mestra inesquecible, sempre cos brazos abertos e as dúas mans tendidas, en sinal perpetuo de irmandade.
Conferência proferida pela Profa. Dra. Célia Lopes por ocasião de sua promoção para Professor Titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Este texto tem como objetivo disponibilizar uma edição conservadora de um dos documentos do fundo documental Didola, com o intuído de que a mesma sirva como fonte primária para o estudo de demais pesquisadores. Este fundo documental foi... more
Este texto tem como objetivo disponibilizar uma edição conservadora de um dos documentos do fundo documental Didola, com o intuído de que a mesma sirva como fonte primária para o estudo de demais pesquisadores. Este fundo documental foi batizado como Didola, em homenagem à forma como era conhecida a matriarca da família e destinatária de muitas das cartas. É composto, principalmente, por cartas pessoais de indivíduos não-ilustres, cujas redes se materializam principalmente na região sudeste do Brasil. O recorte temporal dos documentos data desde a primeira metade do século XX até a década de 80 do mesmo século.
As cartas aqui apresentadas em edição diplomática fazem parte do corpus a ser editado na tese de Doutorado do autor, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob orientação... more
As cartas aqui apresentadas em edição diplomática fazem parte do corpus a ser editado na tese de Doutorado do autor, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob orientação da Profa. Dra. Célia Regina dos Santos Lopes. O corpus tem origem em acervo privado e se insere no contexto histórico da emigração portuguesa para o Brasil. A seleção aqui apresentada é constituída de quatro cartas privadas escritas de 1950 a 1957 por quatro remetentes diferentes e busca ilustrar uma rede familiar de imigrantes portugueses que vieram para o Brasil na década de 1950. Seu valor é tanto linguístico, pois pode servir como corpus para estudos, quanto histórico, pois retrata uma parte da história de Portugal e do Brasil.
O presente artigo tem por objetivo apresentar brevemente ao público os escritos pertencentes à família Soares Brandão, a partir da edição semidiplomática de uma missiva de Francisco de Carvalho Soares Brandão Neto. Tal carta faz parte do... more
O presente artigo tem por objetivo apresentar brevemente ao público os escritos pertencentes à família Soares Brandão, a partir da edição semidiplomática de uma missiva de Francisco de Carvalho Soares Brandão Neto. Tal carta faz parte do fundo Família Carvalho Soares Brandão (BR RJANRIO QE) localizado no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro.
Nem sempre norma padrão e norma culta coincidem. Faraco (2008) propõe uma divisão entre ambas: a primeira refere-se a um conjunto de normas estipuladas e determinadas por instâncias normatizadoras, como a gramática tradicional; a segunda,... more
Nem sempre norma padrão e norma culta coincidem. Faraco (2008) propõe uma divisão entre ambas: a primeira refere-se a um conjunto de normas estipuladas e determinadas por instâncias normatizadoras, como a gramática tradicional; a segunda, por sua vez, refere-se a um conjunto de normas efetivamente usadas pelos falantes considerados cultos numa dada sociedade. No que tange ao uso dos pronomes pessoais, este texto elenca exemplos, retirados de fontes escritas que usam a norma padrão,nos quais, a despeito das regras gramaticais tradicionais, as formas “o”, “a” e suas variações encontram-se empregadas na função de objeto indireto. Se as fontes das quais os exemplos foram retirados usam corriqueiramente o português padrão e são, ao mesmo tempo, produzidas por usuários letrados do português, pode-se suspeitar que os pronomes em pauta não vêm sendo usados no português culto segundo as prescrições do padrão. Trata-se de um fenômeno digno de pesquisa linguística. Neste texto (anotações iniciais de pesquisa), pretende-se apresentar a questão e propor uma investigação sobre ela.
Este artigo enfoca as mudanças nos contextos discursivos e nas funções das interrogativas parciais in-situ no português brasileiro (PB), um tema que ainda não foi abordado por estudos prévios. À base da análise de um corpus de cerca de... more
Este artigo enfoca as mudanças nos contextos discursivos e nas funções das interrogativas parciais in-situ no português brasileiro (PB), um tema que ainda não foi abordado por estudos prévios. À base da análise de um corpus de cerca de 200 peças de teatro datadas entre 1800 e 2016, o artigo mostra a necessidade de distinguir sobre as interrogativas parciais in-situ que dependem ou não sintaticamente do contexto anterior. Embora todos os tipos de interrogativas parciais in-situ tenham sofrido um aumento de sua frequência de uso, somente as interrogativas sintaticamente autônomas como ela foi pra onde? [V Wh] também experimentaram uma mudança nas suas funções discursivas típicas. Ao longo do tempo, as interrogativas [V Wh] tornaram-se mais frequentes em contextos nos quais a proposição não é derivada do contexto prévio. No entanto, esta mudança não pode ser caracterizada como uma mudança semântica, mas a consolidação de uma função discursiva já existente, ou seja, o uso dessas interrogativas como perguntas retóricas. Proponho que essa mudança não reflete uma mudança no PB falado, mas está limitada ao gênero textual específico das peças de teatro.
O objetivo principal deste trabalho é mapear os pronomes de segunda pessoa do singular (tu e você) na posição de sujeito em 420 cartas pessoais escritas por catarinenses entre 1880 e 1990. A discussão teórica aqui proposta é amparada na... more
O objetivo principal deste trabalho é mapear os pronomes de segunda pessoa do singular (tu e você) na posição de sujeito em 420 cartas pessoais escritas por catarinenses entre 1880 e 1990. A discussão teórica aqui proposta é amparada na Sociolinguística Histórica (cf. CONDE SILVESTRE, 2007), a qual se fundamenta nos pressupostos da Teoria da Variação e Mudança (cf. WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006 [1968]; LABOV, 1994). Considerando-se o universo dessas amostras, algumas tendências podem ser apontadas: (i) nas amostras de cartas escritas no século XIX e no início do século XX (1870-1940), predominam o uso de tu, e nas amostras da segunda metade do século XX (1950-1990) há variação entre tu e você, e essa distribuição parece mostrar alguma correlação com os diferentes pronomes e a sócio-história da cidade de Florianópolis; (ii) o pronome tu é majoritariamente associado a sujeitos nulos, enquanto o pronome você é majoritariamente associado a sujeitos expressos; (iii) o uso de tu parece estar correlacionado a cartas de teor mais pessoal, ao passo que o uso de você parece estar correlacionado a cartas de teor mais profissional. Os resultados da análise desses pronomes em cartas pessoais indicam que a implementação do você se dá muito lentamente em território catarinense, concorrendo com o pronome latino tu, ainda muito frequente na fala.
Este artigo tem como objetivo analisar as tradições discursivas identificadas em vinte cartas de amor trocadas por um casal pernambucano na primeira metade do século XX. A abordagem das tradições discursivas é feita de acordo com as... more
Este artigo tem como objetivo analisar as tradições discursivas identificadas em vinte cartas de amor trocadas por um casal pernambucano na primeira metade do século XX. A abordagem das tradições discursivas é feita de acordo com as noções de proximidade comunicativa (KOCH; ÖESTERREICHER, 2007, 2013) e com a proposta de Longhin (2014), em que são abordadas as dimensões da tradicionalidade temática, composicional e dos modos de dizer. Os estudos realizados por Koch (1997), Kabatek (2006, 2012), Andrade e Gomes (2018), Rumeu (2013) e Gomes e Lopes (2014a, 2016) complementam a base teórica. Os resultados dessa análise, ainda que em caráter de amostra, revelam que as tradicionalidades temática, composicional e dos modos de dizer evidenciam as especificidades do propósito comunicativo da carta de amor.
O presente estudo objetiva analisar a variação existente entre as formas simples de pronomes possessivos de segunda pessoa do singular, isto é, teu/tua/seu/sua, diacronicamente, no português brasileiro, buscando explicar o que o motiva... more
O presente estudo objetiva analisar a variação existente entre as formas simples de pronomes possessivos de segunda pessoa do singular, isto é, teu/tua/seu/sua, diacronicamente, no português brasileiro, buscando explicar o que o motiva tal variação e observar em especial o comportamento do pronome seu. No presente estudo, será feito um recorte, sendo observados apenas os resultados referentes a um fator extralinguístico: o parentesco entre os missivistas. A análise quantitativa e qualitativa dos dados baseia-se nos pressupostos da sociolinguística variacionista (LABOV, 1994; WEINREICH; HERZOG; LABOV, 1968). Além disso, na análise dos pronomes possessivos serão observadas também as situações comunicativas em que os pronomes estão inseridos, observando as relações de poder na ótica da teoria de Poder e Solidariedade proposta por Brown e Gilman (1960). A hipótese norteadora do trabalho é a de que, nas relações mais íntimas, haveria o maior emprego de teu, enquanto nas relações em que há predominância de maior distanciamento entre os interactantes, haveria o emprego de seu. Tal hipótese se baseia nos estudos referentes à variação tu/você na posição de sujeito (SOUZA, 2012).
Este artigo apresenta um estudo das estratégias de relativização no português europeu em cartas dos séculos XVII e XVIII, buscando analisar o papel das tradições discursivas em construções relativas padrão de sintagma preposicionado no... more
Este artigo apresenta um estudo das estratégias de relativização no português europeu em cartas dos séculos XVII e XVIII, buscando analisar o papel das tradições discursivas em construções relativas padrão de sintagma preposicionado no contexto geral dos dados. As cartas em questão são do Padre Antônio Vieira, século XVII, e do Marquês do Lavradio, século XVIII, portugueses em cuja escrita foram detectadas estruturas relativas padrão de PP (sintagma preposicionado). Assim, buscaremos mostrar até que ponto as estruturas formulaicas detectadas em suas cartas inflacionam o resultado das relativas padrão de PP em relação às suas concorrentes de sintagma preposicionado – a cortadora e a copiadora. Depois de analisados os dados, verificou-se que as estruturas relativas de sintagma preposicionado dos portugueses em questão eram, em grande parte, formas fixas representativas das partes introdutória e de despedida do gênero carta.
O Projeto Nova Iguaçu sob o viés da Sociolinguística pretendeu efetuar a organização de um grande banco de dados com entrevistas de língua oral coletadas entre informantes nativos do município de Nova Iguaçu, a fim de possibilitar... more
O Projeto Nova Iguaçu sob o viés da Sociolinguística pretendeu efetuar a organização de um grande banco de dados com entrevistas de língua oral coletadas entre informantes nativos do município de Nova Iguaçu, a fim de possibilitar pesquisas futuras no âmbito da Teoria da Variação e da Mudança e o diálogo com outros projetos estabelecidos no Estado do Rio de Janeiro. Desde os anos 70, a língua da capital do estado do Rio de Janeiro tem sido objeto de inúmeros estudos que levam em conta a perspectiva teórico-metodológica da Sociolinguística laboviana. Tal fato se deve, fundamentalmente, à existência de importantes bancos de dados que foram produzidos com base em tal cidade. São eles: o banco de dados do Projeto Norma Urbana Culta da cidade do Rio de Janeiro (NURC-RJ), o banco de dados do Projeto Censo da Variação linguística no estado do Rio de Janeiro e Programa de Estudos do Uso da Língua (CENSO-PEUL), e, mais recentemente, as amostras do Projeto bilateral Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias do português. Em relação às demais regiões do estado, diferentemente do que se observa na capital (cidade do Rio de Janeiro), constata-se a grande carência de bancos de dados organizados de acordo com a metodologia laboviana.
O objetivo deste artigo é refletir sobre o encaminhamento histórico da implementação do você no sistema pronominal do português brasileiro e o seu reflexo nas estruturas imperativas de 2SG. Assume-se como ponto de partida o fato de uma... more
O objetivo deste artigo é refletir sobre o encaminhamento histórico da implementação do você no sistema pronominal do português brasileiro e o seu reflexo nas estruturas imperativas de 2SG. Assume-se como ponto de partida o fato de uma das repercussões da inserção do você no sistema pronominal do português brasileiro (RUMEU, 2013; SOUZA,  2012) ter sido a alternância entre as formas verbais de indicativo e de subjuntivo nas construções imperativas de 2SG (vem tu, vem você, venha você). Na perspectiva de uma análise metodologicamente orientada pelos princípios da sociolinguística histórica (CONDE SILVESTRE, 2007; HERNÁNDEZ-CAMPOY; SCHILLING, 2012) e embasada em um conjunto de missivas históricas produzidas por cariocas cultos entre 1860 e 1980, ratifica-se a conjectura de que a partir dos anos 30 do século XX (RUMEU, 2008; SOUZA, 2012) o você-sujeito consolida-se como forma pronominal de 2SG pari passu as construções de imperativo supletivo também prevaleçam nas missivas cariocas (DINIZ, 2018). Além de o contexto do você-sujeito acompanhar as construções de imperativo supletivo, comprovou-se que as cartas mistas (cartas de alternância tu/você) funcionam também como contexto que tende a influenciar moderadamente o imperativo abrasileirado (DINIZ, 2018). Trata-se, pois, da expressão de uma mudança internamente encaixada no sistema linguístico do PB conforme previsto por Lopes (2007) acerca das repercussões da inserção do você no paradigma pronominal do português brasileiro.
A edição diplomática apresentada neste artigo é parte da dissertação da primeira autora e orientada pela segunda, intitulada “Estudo comparativo das abreviaturas em documentos politestemunhais do testamento do rei D. Pedro II, de... more
A edição diplomática apresentada neste artigo é parte da dissertação da primeira autora e orientada pela segunda, intitulada “Estudo comparativo das abreviaturas em documentos politestemunhais do testamento do rei D. Pedro II, de Portugal.” Esse tipo de edição busca facilitar a leitura de documentos manuscritos de diacronias passadas, sem, contudo, alterar as características linguísticas genuínas do documento original.  O documento se encontra nas Gavetas da Torre do Tombo e está disponível para consulta online. Ao longo dos doze fólios do manuscrito é possível compreender melhor como funcionava a composição da Corte no início dos setecentos, além de perceber aspectos da política, religião e sociedade da época. O testamento escrito no ano de 1704, pelo padre confessor Sebastião de Magalhães, sob comando do rei Dom Pedro II, tinha por objetivo garantir a sucessão ao trono para os descendentes do rei, uma vez que havia a possibilidade da sucessão não acontecer da forma como Dom Pedro II almejara.

Fonte documental

Testamento do rei Dom Pedro II, 1704:

Cota atual: Gavetas, Gav. 16, mç. 2, n.º 21.

Código de referência: PT/TT/GAV/16/2/21A

Arquivo da Torre do Tombo.
Apresentar uma fonte documental manuscrita, em um periódico científico, além torná-la conhecida no meio acadêmico, colabora diretamente com a sua preservação e propagação. Nesta publicação, apresentaremos, de forma simples e sucinta o... more
Apresentar uma fonte documental manuscrita, em um periódico científico, além torná-la conhecida no meio acadêmico, colabora diretamente com a sua preservação e propagação. Nesta publicação, apresentaremos, de forma simples e sucinta o manuscrito Relação dos trastes de prata e ornamentos da extinta Capela de Santo Antônio. Vale destacar que o documento em questão é uma produção contextualizada, portador de acontecimentos da região em que foi produzido e, portanto, passível de ser tomado como objeto de estudos de diversas áreas. É preciso, contudo, estarmos atentos, pois sem a preservação e a divulgação dessa fonte primária, corremos o risco de reduzi-la à condição de registros antigos ou, simplesmente, “coisa velha e sem sentido”. O presente trabalho, mesmo curto e despretensioso, vai, sobretudo, no sentido oposto desse lamentável destino de muitos documentos antigos.

Fonte documental: Arquivo Eclesiástico Dom Oscar de Oliveira (AEAM), Minas Gerais. (1749-1904). Livro de Inventários da Catedral de Mariana. Inventário – P16.
O códice Atas de Jundiaí de 1663 a 1669 está depositado no Centro de Memória da cidade e é o mais antigo de sua tipologia de que se tem notícia. As atas podem ser divididas em dois grandes conjuntos, a saber: (a) quando o procurador da... more
O códice Atas de Jundiaí de 1663 a 1669 está depositado no Centro de Memória da cidade e é o mais antigo de sua tipologia de que se tem notícia. As atas podem ser divididas em dois grandes conjuntos, a saber: (a) quando o procurador da vila tem algo a requerer e (b) quando o procurador da vila não tem nada a requerer. No primeiro caso, temos 27 documentos e no segundo, 36, totalizando 63 atas. Levando em consideração a inexistência de trabalhos que versem sobre a temática ‘nada a requerer em atas do século XVII’, o objetivo principal do presente artigo é apresentar documentos que comprovam uma rotina administrativa que se dava na região de Jundiaí de maneira regular, mas que não necessariamente se passava em outras vilas durante o mesmo período.

Fonte documental: Atas de Jundiaí de 1663 a 1669 - Centro de Memória de Jundiaí.
Neste artigo apresento os resultados de um estudo comparativo da colocação dos pronomes clíticos presentes nos testemunhos de uma crónica quinhentista sobre D. Sebastião – a Crónica do Xarife MuleiMahamet e del-Rey D. Sebastião – com... more
Neste artigo apresento os resultados de um estudo comparativo da colocação dos pronomes clíticos presentes nos testemunhos de uma crónica quinhentista sobre D. Sebastião – a Crónica do Xarife MuleiMahamet e del-Rey D. Sebastião – com vista a compreender melhor as vicissitudes da sua transmissão manuscrita. Conhecem-se atualmente três testemunhos deste texto. O Mss. 2422 da Biblioteca Nacional de Espanha e o COD. 13282 da Biblioteca Nacional de Portugal, ambos catalogados como sendo do século XVII e similares em termos de organização estrutural, diferem profundamente do CIII/1-14 da Biblioteca Pública de Évora, datado do século XVIII. O testemunho eborense afasta-se deles a tal ponto que se torna possível afirmar que se trata de versões diferentes de um mesmo texto. A pergunta que se coloca, portanto, é se seria a versão reportada pelos testemunhos madrileno e lisboeta (o Sumario) a versão inicial e a Historia (versão do testemunho eborense) uma reescrita e desenvolvimento dela por um cronista/copista posterior, ou se se trataria justamente do contrário – o texto transmitido pelo manuscrito eborense sendo a primeira versão e o Sumario um resumo desta. Para fazer luz sobre esta questão, analisei dois fenómenos relativos à colocação pronominal cuja evolução histórica, de acordo com autores como Martins (1994, 2008 e 2016, entre outros), Magro (2007), Galves, Britto e Paixão de Sousa (2005) e Namiuti (2008), apresenta um ponto de inflexão nos séculos XVI-XVIII – a variação entre ênclise e próclise e a realização de interpolação de constituintes entre o clítico e o verbo. Apesar de não ter fornecido resultados totalmente inquestionáveis a favor de uma ou outra hipótese, as análises demonstraram que alguns trechos da Historia inexistentes nos demais testemunhos apresentam traços linguísticos mais próximos do português quinhentista. Assim sendo, parece provável que a versão reportada neste testemunho não tenha sido redigida no século XVIII.
Galiza e Brasil constituem duas entidades políticas e sociais bem diferenciadas e afastadas geograficamente, mas com peculiaridades históricas e linguísticas similares: ao já conhecido fato de ter surgido a língua hegemônica falada hoje... more
Galiza e Brasil constituem duas entidades políticas e sociais bem diferenciadas e afastadas geograficamente, mas com peculiaridades históricas e linguísticas similares: ao já conhecido fato de ter surgido a língua hegemônica falada hoje no Brasil no território do Antigo Reino de Galiza soma-se o fato de que ambas foram submetidas, em maior ou menor grau e com maior ou menor êxito, a um processo de substituição linguística que afetou à(s) língua(s) autóctone(s) de cada uma delas. Através de documentos históricos e presentes, analisamos a toponímia de ambas as entidades, Galiza e Brasil, detendo-nos nas similitudes e nas diferenças sociolinguísticas de ambas provocadas por aquele conflito linguístico.
A Linguística Histórica é um ramo da linguística bastante produtivo que busca estudar e analisar as mudanças da língua no decorrer do tempo, além de apresentar a história e a organização da língua no passado. A mudança linguística apesar... more
A Linguística Histórica é um ramo da linguística bastante produtivo que busca estudar e analisar as mudanças da língua no decorrer do tempo, além de apresentar a história e a organização da língua no passado. A mudança linguística apesar de ser tratada, geralmente, em uma perspectiva funcional, tem na teoria formal da Gramática Gerativa uma explicação a partir do processo de Aquisição da Linguagem.  Dessa forma, objetivamos neste estudo fomentar uma discussão a respeito da mudança como um objeto teórico da teoria gerativa, entendendo como a mudança é compreendida como um fenômeno de Aquisição da Linguagem, sendo prevista a partir das noções de input (experiência), parâmetros e Gramática Universal.
Este trabalho apresenta um estudo da ordem dos clíticos em cartas pessoais trocadas entre membros das famílias Pedreira Ferraz – Abreu Magalhães, Frazão Braga, Salgado Lacerda, os noivos Jayme e Maria e diferentes missivistas oriundos de... more
Este trabalho apresenta um estudo da ordem dos clíticos em cartas pessoais trocadas entre membros das famílias Pedreira Ferraz – Abreu Magalhães, Frazão Braga, Salgado Lacerda, os noivos Jayme e Maria e diferentes missivistas oriundos de diferentes regiões do Brasil, todos nascidos ao longo do século XIX e XX. Considerando resultados de trabalhos anteriores sobre colocação pronominal e as características da gramática do PB (BRITO; DUARTE; MATOS, 2003; PAGOTTO; DUARTE, 2005; MARTINS, 2010 e CAVALCANTE; DUARTE; PAGOTTO, 2011, entre outros), nosso objetivo é (1) mostrar a implementação da próclise na escrita de brasileiros em formas verbais simples ao longo do tempo e (2) testar a hipótese de M. A. Martins, que mostra competição de gramáticas no contexto de próclise com XV, afirmando haver diferença na frequência de realização dos pronomes com verbo precedido por Sujeito Pronominal, por Sujeito SN e por ADVP-PP. Para tanto, utilizamos uma metodologia quantitativa para a análise de dados, considerando somente sentenças matrizes com verbo na primeira posição e na segunda posição. Os resultados encontrados, em síntese, nos permitem antecipar que, apesar de haver contextos resistentes à entrada da próclise devido às pressões normativas, como contexto de #V1, a partir da segunda metade do século XX, os pronomes átonos se realizam majoritariamente proclíticos. Além disso, com relação ao contexto XV, a partir da segunda metade do século XX, a próclise é categórica, independentemente do tipo de sintagma que antecede o verbo, o que não corrobora a hipótese de M. A. Martins (2010).
O artigo apresenta uma discussão a respeito dos usos da cadeia sintagmática um monte de seguida de SN numa perspectiva construcional. Defende-se a tese, baseada na teoria de mudança linguística proposta por Traugott e Trousdale (2013), de... more
O artigo apresenta uma discussão a respeito dos usos da cadeia sintagmática um monte de seguida de SN numa perspectiva construcional. Defende-se a tese, baseada na teoria de mudança linguística proposta por Traugott e Trousdale (2013), de que haja uma microconstrução mais nova na história do português – um monte de [SN] – dentro do esquema dos quantificadores. Essa microconstrução se formou a partir de usos mais periféricos da construção [um [monte] de SN]. Segundo os autores, no caso de mudança gramatical, há aumento de esquematicidade e de produtividade e diminuição de composicionalidade. Para verificar esses três parâmetros, foram considerados seis testes que verificam tanto aspectos formais como semântico-pragmáticos, com o intuito de demonstrar que um monte de quantitativo funciona sintaticamente como modificador de SN – [um monte de [SN]].
Este artigo tem como base a dissertação de mestrado que apresentei no âmbito do curso de Ciências da Linguagem da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na qual tive como principal objetivo relacionar o... more
Este artigo tem como base a dissertação de mestrado que apresentei no âmbito do curso de Ciências da Linguagem da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na qual tive como principal objetivo relacionar o hibridismo de ser com a sobreposição parcial dos valores semânticos associados aos verbos ser e estar,atestadaem estádios anteriores da língua portuguesa. Dado que ser é um paradigma híbrido, que advém da fusão dos paradigmas latinos sedere (‘estar sentado’) e esse (‘ser’), explora-se a hipótese de que, no seio do paradigma ser, formas derivadas de sedere seriam perspetivadas como estando mais associadas a propriedades transitórias – partilhando, portanto, características com o verbo estar –, por oposição a formas derivadas de esse (‘ser’), que seriam perspetivadas como estando genericamente mais associadas a propriedades permanentes, devido a alguma persistência dos valores semânticos associados aos verbos latinos de que derivam. Neste artigo, apresento alguns dados obtidos, relativos à ocorrência destes verbos em cantigas do século XIII, que apontam para uma maior proximidade entre formas de sedere e de estar neste período histórico, com o objetivo de suportar a hipótese que é aqui explorada. Aponto, ainda, alguns dos mecanismos ou processos de mudança linguística que podem ser atestados no percurso evolutivo dos verbos ser e estar, ou explicativos deste.
Este artigo tem como objetivo descrever e analisar a microconstrução “um belo dia” a partir da perspectiva teórica da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU). Orienta a análise a hipótese de que, no português brasileiro, os usos da... more
Este artigo tem como objetivo descrever e analisar a microconstrução “um belo dia” a partir da perspectiva teórica da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU). Orienta a análise a hipótese de que, no português brasileiro, os usos da microconstrução “um belo dia” configuram um processo de mudança: expressa linguisticamente um conceito mais concreto, relativo à organização sentencial básica, e um conceito mais abstrato, relativo ao nível textual, auxiliando na macro-organização da narrativa. Os dados integram o Corpus do Português, o Projeto Fala Goiana e do D&G – Grupo Discurso e Gramática– e foram analisados em uma perspectiva pancrônica.
Este artigo apresenta o estudo das microconstruções ainda que, mesmo que, assim que, uma vez que e já que entre os séculos XIII e XVIII, levando a formação da construção mais abstrata [Xque]CONECT na língua portuguesa. Para tanto,... more
Este artigo apresenta o estudo das microconstruções  ainda que, mesmo que, assim que, uma vez que e já que entre os séculos XIII e XVIII, levando a formação da construção mais abstrata [Xque]CONECT  na língua portuguesa. Para tanto, utilizamos como pressupostos teórico-metodológicos a Linguística Funcional Centrada no Uso. A formação dessas microconstruções baseiam-se no modelo da Mudança Construcional e da Construcionalização (TRAUGOTT E TROUSDALE, 2013; TRAUGOTT, 2015). Essa abordagem agrega os principais rede pressupostos da Gramaticalização e da Gramática de construções a fim de explicitar como a língua varia, com a mudança constante da rede linguística, observada como um agrupamento de nós (pareamento forma-sentido) interligados. Desse modo, a partir da análise de tais microconstruções, o presente trabalho exibe a estruturação da rede [Xque]CONECT  no português.
O presente trabalho enquadra-se no arcabouço teórico metodológico da Linguística Funcional Centrada no Uso e tem como objetivo observar o comportamento das construções adverbiais qualitativas e modalizadoras do tipo Prep+SN, atentando-nos... more
O presente trabalho enquadra-se no arcabouço teórico metodológico da Linguística Funcional Centrada no Uso e tem como objetivo observar o comportamento das construções adverbiais qualitativas e modalizadoras do tipo Prep+SN, atentando-nos tanto a aspectos formais como a aspectos semântico-pragmáticos, descrevendo-os e analisando-os. Para tal propósito, analisamos as referidas construções levando em conta fatores como item verbal/tipo verbal, preposição, extensão do sintagma nominal e elementos intervenientes entre a construção qualitativa e o verbo, além de observar os casosde ambiguidade. O corpus utilizado se compõe de cartas de leitores do Rio de Janeiro escritas nos séculos XIX e XX; portanto, um dos objetivos deste trabalho também consiste em verificar as semelhanças e diferenças de comportamento dessas construções nessas duas sincronias, em busca de indícios de construcionalização e/ou de mudanças construcionais (cf. TRAUGOTT & TROUSDALE, 2013).
Neste trabalho, temos como foco central o tratamento da mudança linguística sob a ótica da Linguística Funcional. Nosso objetivo é traçar um breve histórico da abordagem desse fenômeno a partir de vieses distintos no âmbito do paradigma... more
Neste trabalho, temos como foco central o tratamento da mudança linguística sob a ótica da Linguística Funcional. Nosso objetivo é traçar um breve histórico da abordagem desse fenômeno a partir de vieses distintos no âmbito do paradigma funcionalista, procurando identificar avanços e aprimoramentos das pesquisas sobre esse tema. Para tanto, recuperamos, primeiramente, estudos da gramaticalização no quadro da Linguística Funcional clássica, ou de vertente norte-americana. Em seguida, focalizamos a proposta que buscou articular o estudo da gramaticalização ao conceito de construção. Por fim, apresentamos a abordagem construcionista de mudança linguística, especialmente na linha de Traugott e Trousdale (2013) bem como na de Hilpert (2013a, 2013b).
A pesquisa da tradição discursiva Guia de Parque Zoológico, ao longo de duzentos anos, permite acompanhar de perto como os cientistas-autores formaram um público culto leitor. Enquanto os primeiros textos publicados na Alemanha mostram o... more
A pesquisa da tradição discursiva Guia de Parque Zoológico, ao longo de duzentos anos, permite acompanhar de perto como os cientistas-autores formaram um público culto leitor. Enquanto os primeiros textos publicados na Alemanha mostram o uso de um léxico cotidiano e de uma gramática simples, os textos mais novos revelam termos técnicos específicos e uma morfossintaxe complexa. O presente artigo desenvolve a história da tradição discursiva Guia de Parque Zoológico e a mudança do discurso entre especialistas e leigos. Essa tradição discursiva é ainda escassamente pesquisada. Com a mudança do milênio, ela está caindo gradualmente em desuso, a favor de um crescimento da prestação de serviços, da orientação e da informação por meio da informática.
Este trabalho objetiva analisar a linguagem de cartas oficiais enviadas a diferentes autoridades da administração pública da Paraíba nos séculos XVIII e XIX. O corpus foi selecionado a partir de documentos manuscritos preservados no... more
Este trabalho objetiva analisar a linguagem de cartas oficiais enviadas a diferentes autoridades da administração pública da Paraíba nos séculos XVIII e XIX. O corpus foi selecionado a partir de documentos manuscritos preservados no Arquivo Histórico da Paraíba. Os fenômenos linguísticos são observados de uma perspectiva histórico-textual, com base nos níveis de análise linguística apresentados por Wulf Oesterreicher (1994; 1996), a partir de conceitos elaborados por Eugênio Coseriu (1979; 1979a). Dentre as características da linguagem, observou-se o fenômeno da modalização, que leva em conta a língua em uso, a partir de autores como Neves (2000), Nascimento (2010), entre outros.
Este artigo tem como objetivo analisar as tradições discursivas (TDs) dos anúncios de fuga de escravos dos jornais do Recife, do século XIX, e compará-las com as dos anúncios de procurados da atualidade, identificando os elementos... more
Este artigo tem como objetivo analisar as tradições discursivas (TDs) dos anúncios de fuga de escravos dos jornais do Recife, do século XIX, e compará-las com as dos anúncios de procurados da atualidade, identificando os elementos constitutivos de ambos os gêneros, a fim de estabelecer um elo entre inovação e conservação de TDs entre os textos. Os critérios definidores da historicidade e tradicionalidade dos textos residem na repetição e evocação de expressões que adquirem valor de signos próprios, princípios que fundamentam a noção de TD. O arcabouço teórico está ancorado nos pressupostos das TDs, a partir das considerações de Coseriu (1979; 1980), Schlieben-Langue (1983), Koch (1997), Oesterreicher (1994; 1996; 2006), Kabatek (2004; 2005; 2008; 2010). A metodologia consiste no método histórico e na abordagem quanti-qualitativa, pautada na análise estrutural, descritiva, interpretativa dos dados, e na pesquisa documental e bibliográfica. As análises evidenciaram que tais anúncios estão muito próximos do que Oesterreicher denominou de imediatez comunicativa, apresentando sintaxe truncada, ausência de pontuação ou pontuação inadequada e ausência de elementos sintáticos que contribuem com a ruptura no tópico discursivo, entre outros aspectos.
O referido artigo apresenta o resultado de um estudo histórico que demonstrou a representação histórica do anúncio publicitário figurado enquanto acontecimento em folhetos de cordel nordestinos que tematizam acerca dos ideais messiânicos... more
O referido artigo apresenta o resultado de um estudo histórico que demonstrou a representação histórica do anúncio publicitário figurado enquanto acontecimento em folhetos de cordel nordestinos que tematizam acerca dos ideais messiânicos e milenaristas do século passado. Observou-se que o gênero analisado revela marcas de seu tempo, bem como é carregado de sinais enunciativos do imaginário apocalíptico que o orientou para agir, de forma atualizada, no plano de significação discursiva que apresenta traços de representação histórica condicionada por ações linguageiras que buscam tematizar anseios humanos. Com o estudo corrente, espera-se contribuir com as discussões da pragmática russa no âmbito dos estudos diacrônicos do texto e do discurso.
Este estudo analisa cartas pessoais pernambucanas escritas nos séculos XIX e XX, a fim de verificar o comportamento variável do uso de imperativos nas correspondências, bem como observar quais outras formas não verbais podem e são usadas... more
Este estudo analisa cartas pessoais pernambucanas escritas nos séculos XIX e XX, a fim de verificar o comportamento variável do uso de imperativos nas correspondências, bem como observar quais outras formas não verbais podem e são usadas com objetivo de fazer pedidos, exortações etc., considerando os processos de elipse dos verbos, principalmente nas sessões de captação de benevolência, recomendações e despedida das missivas. No que diz respeito às formas imperativas textualmente marcadas, temos por objetivo verificar quais ações podem ser expressas através dos verbos no contexto das cartas analisadas. Para tanto, baseamo-nos na teoria de Tradição Discursiva (KOCH, 1997; KABATEK, 2006; COSTA, 2012), que caracteriza modelos textuais, social e historicamente convencionalizados, que fazem parte da memória cultural de uma comunidade (LONGHIN, 2014) e abrangem distintos graus de abstração e complexidade de modelos textuais. Além de ser uma rica fonte aos estudos da história das línguas, as cartas pessoais constituem um exemplo eficaz da relação existente entre tradições existentes e inovação no contexto sócio-histórico, e o uso dos imperativos nas correspondências oferece um recorte dessa relação.  Para a realização desta análise, foram coletadas 60 correspondências produzidas entre os anos de 1901 e 1969. Para a discussão dos dados, apoiamo-nos nos conceitos da sociolinguística (LABOV, 1994 apud LOPES, 2011) na análise quantitativa das ocorrências (ou não ocorrências) de imperativos nas sessões de captação de benevolência, recomendações e saudações das cartas pessoais. Os resultados desta pesquisa apontam para a constatação de que a variação é “mais sistemática e predizível tanto estrutural quanto socialmente” (LOPES, 2011, p. 365).
O presente trabalho tem por objetivo apresentar os resultados da investigação sobre a variação de uso das formas de tratamento TU ~ VOCÊ na função sintática de sujeito em cartas de amor produzidas, nas décadas de 50 e 70, por dois casais... more
O presente trabalho tem por objetivo apresentar os resultados da investigação sobre a variação de uso das formas de tratamento TU ~ VOCÊ na função sintática de sujeito em cartas de amor produzidas, nas décadas de 50 e 70, por dois casais não-ilustres de uma comunidade rural do sertão pernambucano. Para analisar a alternância das formas tratamentais, consideramos o aporte teórico-metodológico da Linguística de corpus, da Sociolinguística Histórica e Variacionista, a fim de verificar a atuação dos seguintes fatores na variação das formas: categorias preenchida e não-preenchida do sujeito e o paradigma de concordância S-V.  Na análise quantitativa, evidenciamos o uso do subsistema de tratamento Você/Tu (LOPES; CAVALCANTE, 2011). E, levando em consideração o paradigma de concordância, podemos evidenciar que, na documentação remanescente ao período analisado, já havia vestígio do atual subsistema de tratamento empregado no estado de Pernambuco: uso de Tu/Você com nível de concordância média (SCHERRE et. al., 2009; 2015; 2018).
Este artigo, apoiando-se nas contribuições avançadas pela Sociolinguística no que respeita ao estudo do léxico na sua variação no tempo e no espaço, pretende analisar as variantes lexicais, obtidas in loco por meio do Questionário... more
Este artigo, apoiando-se nas contribuições avançadas pela Sociolinguística no que respeita ao estudo do léxico na sua variação no tempo e no espaço, pretende analisar as variantes lexicais, obtidas in loco por meio do Questionário Semântico-Lexical (QSL) do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), nas localidades de Cuiabá (Brasil) e Covilhã (Portugal), correlacionando-as aos fatores extralinguísticos gênero, faixa etária, nível de escolaridade e naturalidade dos informantes. O principal objetivo consiste na identificação de possíveis mudanças linguísticas em curso, bem como, determinar a ocorrência de mudanças em progresso ou variação estável, de acordo com a Sociolinguística Variacionista de William Labov. Os resultados da análise sociolinguística apontam, de modo geral, para dois caminhos distintos trilhados pelas variantes: a estabilidade e a coexistência das variantes no sistema e a mudança em progresso.
Este traballo ocúpase dalgúns topónimos menores localizados na Coruña cuxas características lingüisticas nos informan sobre aspectos evolutivos e históricos doutras épocas. Moitos deles acabaron perdéndose, mais outros, no entanto,... more
Este traballo ocúpase dalgúns topónimos menores localizados na Coruña cuxas características lingüisticas nos informan sobre aspectos evolutivos e históricos doutras épocas. Moitos deles acabaron perdéndose, mais outros, no entanto, continúan hoxe a ser habituais na comarca.
En este artículo se aborda la relación entre tradiciones discursivas --entendidas como modelos histórico-contingentes de elaboración y recepción de textos-- y el desarrollo diacrónico de variedades de lengua. Se parte de la hipótesis de... more
En este artículo se aborda la relación entre tradiciones discursivas --entendidas como modelos histórico-contingentes de elaboración y recepción de textos-- y el desarrollo diacrónico de variedades de lengua. Se parte de la hipótesis de que las tradiciones discursivas pueden (i) favorecer el surgimiento de algunos elementos lingüísticos al interior de las formas de habla con las que están asociadas, pero también (ii) mantener otros elementos que fuera de esas variedades lingüísticas pueden ya no ser productivos (o no serlo en la misma medida). Para ejemplificar estos dos fenómenos diacrónicos se analizará un corpus de textos técnicos y jurídicos provenientes de diferentes etapas del español. Los resultados del trabajo permiten resaltar la relevancia que para las investigaciones sobre la historia de la lengua tiene la interrelación entre tradiciones discursivas y variedades de lengua, lo que ofrece una perspectiva adicional al complejo problema del cambio lingüístico.
Os editoriais circulam amplamente na esfera jornalística desde a criação da imprensa no Brasil e como textos essenciais para a demarcação de um posicionamento oficial da empresa, seguem uma tradição contínua de aparecimento nos diversos... more
Os editoriais circulam amplamente na esfera jornalística desde a criação da imprensa no Brasil e como textos essenciais para a demarcação de um posicionamento oficial da empresa, seguem uma tradição contínua de aparecimento nos diversos jornais do país. Sabemos, no entanto, que os textos que circularam na primeira fase jornalística do Brasil não são iguais aos textos mais modernos em função de fatores pragmáticos, linguístico-discursivos e estruturais. Dessa forma, partimos dos pressupostos da linguística românica coseriana, que tem como fio condutor a ideia que os textos têm uma historicidade própria (COSERIU, 1979) e da qual pode haver características contínuas e outras descontínuas, para avaliar o adjetivo como marca de Tradição Discursiva no texto. Assim, os editoriais do Jornal O Mossoroense, publicados desde 1872, serão o material em que analisamos a categoria morfológica adjetivo, e estão metodologicamente divididos em três fases que vão de 1872 ao ano de 1875, e conta com 34 exemplares de textos. O segundo período vai de 1928 a 1935 e é composto de 23 textos. O último vai do ano 1980 ao ano de 2007 e comporta 14 textos representativos dos editoriais. A pesquisa consiste numa análise qualitativa da adjetivação em editoriais das épocas destacadas. Os resultados obtidos nos permitem afirmar que há mudanças linguísticas consideráveis e propósitos comunicativos aproximados, além da adjetivação estar mais polida. Ainda podemos verificar a aproximação do editorial da primeira fase ao gênero manifesto, tão comum no final do século XIX.
Este trabalho discute a gênese da noção de Tradição Discursiva (TD) como paradigma teórico e reflete sobre a polissemia do termo quando tomado como objeto de análise, visto que os estudos atuais em TD mostram que esse objeto pode ser... more
Este trabalho discute a gênese da noção de Tradição Discursiva (TD) como paradigma teórico e reflete sobre a polissemia do termo quando tomado como objeto de análise, visto que os estudos atuais em TD mostram que esse objeto pode ser encarado tanto como: a) formas particulares de dizer, b) gêneros, c) características constitutivas dos gêneros. Apresenta, ainda, uma proposta teórico-metodológica para análise diacrônica de gêneros a partir do modelo de Zavam (2009) e resultados de pesquisas desenvolvidas no âmbito do Grupo de Pesquisa -- Tradições Discursivas do Ceará que tomaram esse modelo como norte para a análise histórico-diacrônica de diferentes gêneros.
A presente pesquisa pretende analisara variação das formas de tratamento Tu eVocê em 189 cartas de pernambucanos dos seguintes subgêneros: amor, amigo e família, compreendidas nos séculos XIX e XX (1860-1989). Para tal, apoia-se na... more
A presente pesquisa pretende analisara variação das formas de tratamento Tu eVocê em 189 cartas de pernambucanos dos seguintes subgêneros: amor, amigo e família, compreendidas nos séculos XIX e XX (1860-1989). Para tal, apoia-se na perspectiva da linguística sócio-histórica do Português brasileiro e nas Tradições Discursivas (KOCH E OESTERREICHER, 2006). Nesse sentido, através da variação no emprego de Tu e Vocêe de marcas de TD presentes na composicionalidade das cartas pessoais de missivistas ilustres e não-ilustres, investiga-se o comportamento pronominal das formas de tratamento do paradigma de 2ª pessoa na posição nominativa considerando as ocorrências de variação e de tradição na natureza das correspondências. A pesquisa aporta-se na perspectiva teórico-metodológica quantitativa (LABOV, 1972 [2008]) para a análise dos dados de Pernambuco (PE) e na qualitativa para averiguar os fatores sociopragmáticos (CONDE SILVESTRE, 2007; BROWN; GILMAN, 1960) que motivam a variação. Para isso, consideraram-se na análise os seguintes contextos na posição de sujeito: I. Tu-exclusivo; II. Você-exclusivo; III. a variação (Tu~Você). Diante da análise dos dados, verificaram-se: a) o emprego pronominal que remete às TD na composição das cartas pessoais; b) o uso predominante das formas Tu ou Você exclusivosem cartas de escreventes ilustres sobretudo entre as décadas de 1880 a 1930, e c) a variaçãoTu~Você foi mais produtiva em cartas da segunda metade do século XX, principalmente, em missivas de escreventes em relação simétrica.
Este artigo objetiva examinar os recursos lexicais que evidenciam, linguístico e discursivamente, a expressão diacrônica do conjunto de imagens de si projetadas em editoriais do Jornal do Brasil (JB) e do Clarín (CL), entre os anos de... more
Este artigo objetiva examinar os recursos lexicais que evidenciam, linguístico e discursivamente, a expressão diacrônica do conjunto de imagens de si projetadas em editoriais do Jornal do Brasil (JB) e do Clarín (CL), entre os anos de 1945 e 2014, em um exercício analítico transdisciplinar que intitulamos filologia do discurso. Para tal, do ponto de vista teórico, debruçamo-nos sobre os conceitos de Latinidade, Ethos e Tradições Discursivas a partir dos estudos de García Canclini (2008), Maingueneau (2008) e Kabatek (2001), respectivamente. Já do ponto de vista metodológico, voltamo-nos ao exame de recursos lexicais e sua inscrição como elementos linguístico-discursivos indiciadores da emergência das imagens de si nos 50 textos que compõem o corpus, segundo cada periódico, em termos de mudanças e permanências no recorte temporal estabelecido, com destaque para os diversos efeitos de sentido desencadeados na enunciação. Do ponto de vista analítico, constatamos, nos dados analisados, a recorrência de recursos lexicais: (i) do campo semântico relativo às noções de esperança, nacionalismo, dor, pesar e indignação, em diálogo com os discursos histórico, político, religioso e econômico, nas duas gerações de exemplares de editoriais do JB; e (ii) do campo semântico relativo às noções de nacionalismo, indignação, esperança e humanismo, em diálogo com os discursos científico, econômico e político, nas duas gerações de editoriais do CL. Tais constatações nos permitem afirmar que a interface teórica estabelecida, nessa pesquisa, entre a Análise do Discurso e a Filologia Românica, em diálogo com os Estudos Culturais, é promissora para a análise diacrônica de fenômenos discursivos, a exemplo das imagens de si.
O objetivo deste artigo éanalisar a polifonia e a modalização no aviso de cobrança presente no jornal do Brasil do século XIX, recursos que favorecem na consolidação do gênero como uma tradição discursiva de interação comercial e oficial.... more
O objetivo deste artigo éanalisar a polifonia e a modalização no aviso de cobrança presente no jornal do Brasil do século XIX, recursos que favorecem na consolidação do gênero como uma tradição discursiva de interação comercial e oficial. Para esse trabalho, nos servimos dos pressupostos teóricos do modelo da Tradição Discursiva (KABATEK, 2005, LOPES, 2011, entre outros) e da Teoria da argumentação (DUCROT, 1984: 1988), dentre outros, que tratam da polifonia e da modalização. Tivemos como corpus a escolha de 05 avisos de cobrança coletados nos jornais, presentes nos acervos da Casa Fundação José Américo, João Pessoa, PB. A polifonia e a modalização, nos avisos de cobrança, são recursos linguísticos e argumentativos que contribuem para que as relações estabelecidas entre os credores e devedores se realizem de maneira cordial e/ou ameaçadora, neste gênero. Apontamos como resultado desta pesquisa que há, no aviso de cobrança, um locutor que pede e, ao mesmo tempo cobra, ou seja, há vozes que se justapõem. E isto pode ser atestado pela constante coocorrência da modalização deôntica volitiva e de obrigatoriedade, sobretudo no aviso de cobrança comercial. Entretanto, a voz que se sobressai é a voz da cobrança, ou seja, a real intenção do locutor, objetivo do gênero e desta Tradição Discursiva.
Neste trabalho, investigamos a expressão da posse na terceira pessoa em cartas escritas por homens brasileiros -- ilustres e não ilustres -- nascidos entre os séculos XIX e XX. Especificamente, nos deteremos na interpretação dos seguintes... more
Neste trabalho, investigamos a expressão da posse na terceira pessoa em cartas escritas por homens brasileiros -- ilustres e não ilustres -- nascidos entre os séculos XIX e XX. Especificamente, nos deteremos na interpretação dos seguintes fatores: tipo de estrutura de posse (pronome possessivo, posse interna ou posse externa); traço de inalienabilidade (inalienável, alienável ou abstrato); data de nascimento dos missivistas; missivistas ilustres e não ilustres. Para tanto, faremos uso do Goldvarb-X (SANKOF, TAGLIAMONTE E SMITH, 2001) que nos auxiliará no tratamento estatístico dos dados. No que concerne aos aspectos teóricos, utilizaremos os pressupostos de Variação e Mudança (WEIREINCH, LABOV & HERZOG, 1968), bem como os da Sociolinguística Histórica (CONDE SILVESTRE, 2007).
Existe um tipo de orações que ainda não foram suficientemente estudadas pela Linguística Galega: as orações clivadas. Neste estudo ocupar-nos-emos com a sua classificação e análise desde a óptica da Gramática Funcional Categorial (GFC),... more
Existe um tipo de orações que ainda não foram suficientemente estudadas pela Linguística Galega: as orações clivadas. Neste estudo ocupar-nos-emos com a sua classificação e análise desde a óptica da Gramática Funcional Categorial (GFC), partindo para isso de estudos prévios aplicados ao português. Quanto à sua estrutura, veremos como se constroem e em que se diferenciam doutros tipos de construções enfáticas, como as focalizadas, baseando-se a sua estrutura nas distintas colocações dos seus três elementos básicos: sujeito, cópula e atributo.
O presente trabalho busca apresentar de forma crítica a obra "Por mãos alheias: usos da escrita na sociedade colonial", de Sílvia Maria Amâncio Rachi Vartuli.
Este artigo propõe uma análise comparada do modo como se constrói norma e sobre os conflitos próprios da constituição da autoridade normativa no galego e no português brasileiro. A justificativa para esse tipo de estudo comparado recai no... more
Este artigo propõe uma análise comparada do modo como se constrói norma e sobre os conflitos próprios da constituição da autoridade normativa no galego e no português brasileiro. A justificativa para esse tipo de estudo comparado recai no fato de se tratar de “línguas emergentes”, num modelo de análise relativista, em situações diglóssicas dentro de contextos socio-históricos muito diferentes, e que têm entre si uma relação de filiação genética dentro do grupo linguístico portugalego. Nesse sentido, a análise das condições de produção de norma e seus conflitos em cada caso, e as ideologias linguísticas implicadas, permite entender as tensões entre unidade e fragmentação dentro do espaço linguístico identificado com a “língua portuguesa”.
National language policy which is implemented from the top is perceived as official legislation designed to influence people's linguistic lives. In the Castilian-dominated Galician linguistic landscape, this paper examines the impact of... more
National language policy which is implemented from the top is perceived as official legislation designed to influence people's linguistic lives. In the Castilian-dominated Galician linguistic landscape, this paper examines the impact of last thirty years' top-down language policies on the “linguistic culture” (Schiffman, 1996) of the Galicians and analyses the role of grassroots level actors or agents who play a significant role in interpreting and implementing language policy on the ground. Linguistic culture, as Schiffman (2006, p. 112) describes it, is the “sum totality of ideas, values, beliefs, attitudes, prejudices, myths, religious strictures, and all the other cultural ‘baggage' that speakers bring to their dealings with language from their culture”. This will inevitably lead us to an examination of the essential macro level linguistic and non-linguistic variables such as socio-political, socio-economic, socio-cultural, sociolinguistic factors present in the Galician society influencing the ideological construct and revitalisation practices of the community. Concurrently, this article offers a brief overview of the sociolinguistic history of Galician, as a means of contextualising existing debates related to language policies since the outset of the Galician Autonomy. It starts with a discussion on the significance of the 1983 Linguistic Normalisation Act, the immediate effects it had on Galician and on its public visibility which will be further related to the various understandings of notions such as linguistic normalisation and societal bilingualism which have been an integral part of LPP discourse over the course of last three decades. To conclude, the chapter will also offer a critical account of the recent developments in grassroots level Galician language activism such as the creation of Galician medium pre-primary immersion schools through co-operative mobilisations and crowd-sourcing; these schools came about as a reaction to the contemporary state-imposed language policies from the present centre-right wing government (2009-present).
Este artigo tem como objetivo apresentar discussão acerca das diferenças entre os conceitos de línguae variedade, notadamente a respeito de como o conceito de línguase constrói, a partir de que necessidades e com que objetivos.Essa... more
Este artigo tem como objetivo apresentar discussão acerca das diferenças entre os conceitos de línguae variedade, notadamente a respeito de como o conceito de línguase constrói, a partir de que necessidades e com que objetivos.Essa discussão torna-se imperativa uma vez que partimos, em nossa pesquisa, dos usos do galego, do português europeu (PE) e do português brasileiro (PB), os considerando variedades de uma língua que convencionamos chamar de galego-português. Inserida em dois projetos maiores (a. Galego e Português Brasileiro: história, variação e mudançae b. Linguagem em uso, cognição e gramática: cooperação acadêmica Brasil-Portugal), a pesquisa tem como um de seus objetivos inserir o galegoem um quadro comparativo até então preferencialmente formado de pesquisas com basena comparação entre PB e PE --, ampliando, dessa forma, o escopo comparativo até o momento utilizado na explicação de traços próprios do PB.Iniciamos nossas palavras pela definição de línguaconsiderada pela Linguística Descritiva, seus elementos constitutivos e funções. Em seguida, elencamos três problemas advindos desse posicionamento estrutural, tendo por base a comparação entre o galego, o PB e o PE: o problema quantitativo, o histórico e o político. A discussão proposta nos levou a concluir que o debate em torno dos conceitos de línguae variedade está marcado pelas próprias representações de linguistas que se propõem a realizar tal discussão. Reforçamos, portanto, a necessidade de se ter a consciência de que, como linguísticas, sempre estamos nos posicionando politicamente -- mesmo quando ignoramos esse fato --, atitude que, a nosso ver, é essencial à análise linguística.
Os dêiticos de lugar, em amostras de fala do Português Brasileiro e do Galego contemporâneos, constituem o tema deste trabalho que postula haver ligação entre a ativação de esquemas imagéticos e o emprego de dêiticos de lugar.... more
Os dêiticos de lugar, em amostras de fala do Português Brasileiro e do Galego contemporâneos, constituem o tema deste trabalho que postula haver ligação entre a ativação de esquemas imagéticos e o emprego de dêiticos de lugar. Fundamentado, teoricamente, na Linguística Cognitiva, apoia-se no conceito de esquemas imagéticos,para desvelar relações entre alguns esquemas imagéticos e contextos de uso de dêiticos de lugar no Português Brasileiro e no Galego, duas variedades historicamente interligadas. Os dados analisados são provenientes dos seguintes corpora: Amostra Senso 1980, Projeto Peul - UFRJ; e A Nosa Fala Bloques e Áreas Lingüisticas do Galego(REI; GULÍAS, 2003), respectivamente.
Este artigo apresenta o tema, análises prévias e resultados parciais de uma pesquisa doutoral sobre o desenvolvimento diacrônico das construções: Pseudo-Clivada Invertida, Ser Que, Pseudo-Clivada Extraposta e Clivada Canônica no galego,... more
Este artigo apresenta o tema, análises prévias e resultados parciais de uma pesquisa doutoral sobre o desenvolvimento diacrônico das construções: Pseudo-Clivada Invertida, Ser Que, Pseudo-Clivada Extraposta e Clivada Canônica no galego, entre os séculos XIII e XX. Tratarei aqui dos dados e análises parciais de apenas duas construções: Pseudo-Clivada Invertida e Ser Que, atestadas no século XIII, XIV e XV, uma vez que a pesquisa não está concluída. O trabalho, desenvolvido em parte no Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFRJ, Brasil, e no Instituto da Lingua Galega da USC, Espanha, é desenvolvido sob o modelo de Construcionalização e Mudança Construcional em uma perspectiva teórica da Gramática de Construções Baseada no Uso. Intenciono desenvolver um quadro histórico que analize as possíveis heranças genéticas entre essas construções, e auxiliar também no estudo histórico do tema em português.
Este artigo pretende discutir elementos de convergência entre o galego e o português brasileiro a partir de alguns exemplos colhidos no léxico. O ponto de encontro entre estas duas culturas se dá no norte de Portugal, precisamente na... more
Este artigo pretende discutir elementos de convergência entre o galego e o português brasileiro a partir de alguns exemplos colhidos no léxico. O ponto de encontro entre estas duas culturas se dá no norte de Portugal, precisamente na região entre o Douro e o Minho: que guarda características do ponto de vista histórico-linguístico com a Galiza; no caso do Brasil se dá pelo contato linguístico, motivado pela emigração dos portugueses do Norte. Para corroborar esta convergência, vamos nos valer de dados históricos de uma região, Minas Gerais, que recebeu um contingente significativo de emigrantes provenientes do Douro e Minho entre os séculos XVIII e XIX. Os dados linguísticos serão colhidos no Esboço de um atlas linguístico de Minas Gerais (1977), em um estudo realizado por Paz-Andrade (1983) sobre o léxico em Guimarães Rosa e a título de comparação no Atlas linguístico Galego. Os dicionários nas respectivas línguas como também do português europeu também serão consultados. Dessa forma, poderemos analisar a inserção desses vocábulos em nível de registro nas sociedades em estudo.
O objetivo deste texto é discutir a importância e a vitalidade do texto clássico "O tratamento você em português: uma abordagem histórica", de Carlos Alberto Faraco, assim como justificar a necessidade de sua republicação.
Reedição e republicação de texto clássico para a área de linguística histórica, mais particularmente no que se refere às formas de tratamento na história do português.
O artigo ofrece unha ampla revisión da situación social da lingua galega, comezando cunha breve historia do seu contacto co castelán e centrada especialmente nos cambios sociolingüísticos das últimas décadas, despois da súa oficialización... more
O artigo ofrece unha ampla revisión da situación social da lingua galega, comezando cunha breve historia do seu contacto co castelán e centrada especialmente nos cambios sociolingüísticos das últimas décadas, despois da súa oficialización como “lingua propia” da Comunidade Autónoma de Galicia. O traballo presenta e analiza datos estatísticos sobre as variables sociolingüísticas e sociais máis relevantes (lingua inicial, competencia lingüística, lingua habitual), presenta unha síntese do proceso de estandarización e comentarios sobre as controversias normativas e os seus efectos sociais, a diversidade de prácticas e as representacións que xurdiron como consecuencia do contacto co castelán neste complexo escenario de intervencións políticas sobre o status e corpus da lingua galega.
O Instituto da Lingua Galega (ILG) é un centro de estudos lingüísticos da Universidade de Santiago de Compostela. O seu rango de actividades é largo, e inclúe, entre outras, a análise diacrónica e sincrónica do idioma galego, a... more
O Instituto da Lingua Galega (ILG) é un centro de estudos lingüísticos da Universidade de Santiago de Compostela. O seu rango de actividades é largo, e inclúe, entre outras, a análise diacrónica e sincrónica do idioma galego, a realización de programas de doutoramento e posgrao, o asesoramento técnico a persoas cunha relación profesional coa lingua (ensino, administración, medios de comunicación) e a organización de reunións científicas sobre o galego. A primeira parte da exposición abrangue desde os momentos previos á creación do ILG ata o ano 1983. Os estudos sobre a lingua dialectal, a fundamentación do modelo ortográfico e os cursos de formación para mestres forman parte dunha época en que o urxente era a estandarización do galego. A segunda etapa abrangue desde o ano da oficialización da ortografía estándar (1982) ata a segunda revisión desta normativa (2003). Progresos significativos no camiño da estandarización e nos campos dialectolóxico, gramatical e lexicográfico conviven co debate ortográfico nuns anos en que muda o mapa da filoloxía galega, coa creación das universidades da Coruña e Vigo e o Centro Ramón Piñeiro para a Investigación en Humanidades. A terceira parte repasa o percorrido do Instituto no novo milenio. Nela destacan os avances en áreas  como a prosodia, a variación e o cambio lingüístico, a dixitalización de fondos e recursos, a divulgación internacional do galego e a consolidación de proxectos interuniversitarios de investigación en rede.
Este artigo presenta unha revisión selectiva da produción científica das últimas catro décadas sobre a variación lingüística do galego moderno. Como obra de referencia de partida tómase a publicación do Atlas Lingüístico Galego, pola... more
Este artigo presenta unha revisión selectiva da produción científica das últimas catro décadas sobre a variación lingüística do galego moderno. Como obra de referencia de partida tómase a publicación do Atlas Lingüístico Galego, pola relevancia especial que tivo no desenvolvemento e coñecemento dos estudos sobre o galego, tanto na academia galega como na comunidade científica internacional. A presentación das investigacións organízase en tres eixes fundamentais: os estudos de dialectoloxía e xeografía lingüística, as investigacións en sociolingüística variacionista e os traballos sobre o contacto de linguas. A intención dos autores é ofrecer unha panorámica xeral que permita coñecer as liñas de investigación fundamentais e as achegas que maior repercusión tiveron no período analizado.
O obxectivo deste traballo é revisar as edicións dos textos medievais en prosa (literarios e documentais) e mais os dos chamados Séculos Escuros (XVI-XVIII) en Galicia. A produción escrita medieval foi moi grande, aínda que dos textos... more
O obxectivo deste traballo é revisar as edicións dos textos medievais en prosa (literarios e documentais) e mais os dos chamados Séculos Escuros (XVI-XVIII) en Galicia. A produción escrita medieval foi moi grande, aínda que dos textos literarios subsistiron ata hoxe moi poucos, e todos eles foron obxecto de edición, con maior ou menor fortuna ecdótica. É diferente o caso dos milleiros de documentos notariais esparexidos por distintos arquivos galegos e españois: dos que están publicados, só unha pequena proporción está editada con criterios filolóxicos, con respecto ás súas características lingüísticas. Por último, a heteroxeneidade, dificultade de recolleita e o menor valor literario dos textos do galego medio comportou que en parte estean editados deficientemente, aínda que nos últimos anos vaise progresando nese labor. En todos estes procesos o Instituto da Lingua Galega (ILG - Universidade de Santiago de Compostela) tivo un papel fundamental, tanto nas edicións filolóxicas dos textos editados coma nos proxectos en marcha.
Neste artigo preséntase unha visión panorámica dos estudos de fonética e fonoloxía galegas. Se aínda nos anos 1960 a fonética galega era practicamente descoñecida, os avances experimentados desde entón pretenden situar os estudos destas... more
Neste artigo preséntase unha visión panorámica dos estudos de fonética e fonoloxía galegas. Se aínda nos anos 1960 a fonética galega era practicamente descoñecida, os avances experimentados desde entón pretenden situar os estudos destas especialidades no ámbito da investigación lingüística internacional. Debido ás prioridades que ocuparon a axenda da investigación durante as décadas de 1970 e 1980, relacionadas fundamentalmente coa planificación do corpus e coa estandarización, os traballos sobre fonética galega non empezan a desenvolverse ata os anos 1990, e fano fundamentalmente no seo do Instituto da Lingua Galega. Desde entón levouse a cabo un certo número de traballos de corte experimental, tanto no estudo da fonética segmental coma na suprasegmental (fundamentalmente, a entoación). Non obstante, os recursos limitados que se dedican a esta rama da lingüística galega fai que aínda existan importantes lagoas. No tocante á fonoloxía, dentro de Galicia domina a perspectiva estruturalista, marcada pola obra de Amable Veiga. Mais desde os anos 1990 un importante número de traballos realizados desde a teoría xenerativa e dentro do marco teórico da optimidade, levados a cabo sobre todo en universidades norteamericanas, abordou a interpretación dalgúns dos aspectos máis elusivos da fonoloxía galega, que presentan implicacións teóricas de relevancia. A pesar das limitacións mencionadas, na actualidade están a desenvolverse traballos en liñas e marcos teóricos innovadores, que abren interesantes camiños para o estudo de aspectos aínda pouco tratados, como son a variación entre falantes e entre variedades ou o contacto co español, coa incorporación de perspectivas innovadoras, como o estudo da percepción relacionado coa produción.
Os estudos de lingüística histórica galega gozan de boa saúde na actualidade e é numeroso o grupo de investigadores que, desde lugares e países moi distantes entre si, participan no seu desenvolvemento. Neste artigo os autores ofrecen... more
Os estudos de lingüística histórica galega gozan de boa saúde na actualidade e é numeroso o grupo de investigadores que, desde lugares e países moi distantes entre si, participan no seu desenvolvemento. Neste artigo os autores ofrecen unha breve panorámica das achegas recentes a esta disciplina filolóxica, focando o obxectivo principalmente na produción bibliográfica, nos recursos de investigación accesibles na Internet, nos proxectos de investigación en andamento e nos encontros e eventos científicos centrados nesta área da lingüística galega.
Este traballo ofrece unha visión panorámica acerca da evolución da lexicografía galega nas catro últimas décadas. O punto de partida é o impulso e reorientación que experimenta a lingüística galega, e particularmente a lexicografía, nos... more
Este traballo ofrece unha visión panorámica acerca da evolución da lexicografía galega nas catro últimas décadas. O punto de partida é o impulso e reorientación que experimenta a lingüística galega, e particularmente a lexicografía, nos primeiros anos da década de 1980 como consecuencia da oficialización do galego. Analízase a seguir o impacto e a influencia exercida polo Vocabulario Ortográfico da Lingua Galega (VOLG) (1988) sobre a produción lexicográfica posterior e estúdanse os avances alcanzados na lexicografía monolingüe, bilingüe e multilingüe, así como en terminografía. Preséntanse tamén algúns dos principais recursos dixitais xerados nos últimos anos, con especial atención aos corpus lexicográficos e aos corpus de textos contemporáneos. Finalmente, sinálanse algunhas das tarefas pendentes e dos desafíos que a lexicografía galega terá que enfrontar nun futuro próximo.
O objetivo deste trabalho é apresentar uma edição da tradução medieval portuguesa do Livro das Meditações, que circulou originalmente em latim na Idade Média sob a autoria de Santo Agostinho, mas constitui uma obra apócrifa construída a... more
O objetivo deste trabalho é apresentar uma edição da tradução medieval portuguesa do Livro das Meditações, que circulou originalmente em latim na Idade Média sob a autoria de Santo Agostinho, mas constitui uma obra apócrifa construída a partir de diversas fontes, dentre elas um dos textos do próprio religioso. As principais fontes da obra foram Anselmo de Cantuária (ca. 1033-1109), Liber de Speculo, Alcuíno de York (735-804) e Agostinho (354-430), embora constem também João de Fécamp (1028-1078), Gregório Magno (ca. 540-604) e Pedro Damião (ca. 1007-ca. 1072). O texto português apresenta 38 capítulos, faltando provavelmente um por mutilação do códice. A linguagem do texto sugere que sua tradição compreende a realização de uma tradução no séc. XIV e a produção de cópia(s) no primeiro quarto do séc. XV e depois, novamente, outra(s) cópia(s) no segundo quarto do séc. XV, ou, mais precisamente, entre 1435 e 1468 (neste último caso, tratar-se ia do testemunho alcobacense).
Este texto apresenta uma proposta de trabalho de edição semidiplomática e elaboração de um glossário terminológico seletivo e parcial de um manuscrito setecentista de temática militar que compõe o acervo da Seção de Manuscritos da... more
Este texto apresenta uma proposta de trabalho de edição semidiplomática e elaboração de um glossário terminológico seletivo e parcial de um manuscrito setecentista de temática militar que compõe o acervo da Seção de Manuscritos da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (FBN-RJ). Para seu desenvolvimento, adotaram-se princípios teóricos referentes ao trabalho da Crítica Textual e aos procedimentos de formulação de glossários terminológicos. Após a realização da edição semidiplomática e do glossário referente à terminologia de recursos humanos e postos de graduação do Exército de terra da fonte documental, chegamos à conclusão de que edições realizadas com critérios e rigor da Crítica Textual nos permitem um apanhado de dados mais confiável para trabalhos de cunho histórico, no caso em tela, de cunho socioterminológico-diacrônico.
Neste artigo, apresenta-se uma análise dos padrões de erro por substituição encontrados na transmissão do tratado ascético medieval Libro dell'Abate Isaac di Siria, a partir da edição crítica desse texto, preparada por Vilaça (2012).... more
Neste artigo, apresenta-se uma análise dos padrões de erro por substituição encontrados na transmissão do tratado ascético medieval Libro dell'Abate Isaac di Siria, a partir da edição crítica desse texto, preparada por Vilaça (2012). Considerando que os testemunhos utilizados no processo de estabelecimento do texto crítico não são todos da mesma época e provêm de localidades diferentes da Itália, o principal intuito deste trabalho foi o de especular possíveis relações entre erros por substituição e casos de aloglossia ou de diacronia. Para isso, selecionaram-se apenas as substituições em nível morfológico e as por sinonímia, as quais tendem ser voluntárias e podem revelar influências do dialeto do responsável pela reprodução do texto ou de seu estado de língua.
O objetivo deste trabalho é analisar aspectos de regularidade em mudança semântica a partir da descrição, em perspectiva longitudinal, de duas trajetórias de mudança semântico-pragmática percorridas pelo juntor enquanto, que levaram à... more
O objetivo deste trabalho é analisar aspectos de regularidade em mudança semântica a partir da descrição, em perspectiva longitudinal, de duas trajetórias de mudança semântico-pragmática percorridas pelo juntor enquanto, que levaram à expressão de significados com grau mais elevado de subjetividade: contraste, que decorre da percepção de uma diferença, incompatibilidade ou conflito entre entidades comparáveis em alguma dimensão; e condição, que decorre da criação de cenários hipotéticos, fundados ou não na realidade. Fundamentando-me teoricamente em um modelo que confere à pragmática um papel fundamental na mudança semântica (TRAUGOTT; DASHER, 2002) e considerando como corpus textos de gêneros diversos representativos dos séculos XIII ao XXI, focalizo sobretudo o peso dos significados fonte, a natureza dos contextos que favorecem a emergência de polissemias e o estatuto dos significados novos.
Conforme se sabe, documentos manuscritos no passado recuperados pelo trabalho filológico são indispensáveis à análise de ocorrências (ou não ocorrências) de mudanças linguísticas de longa duração. Neste artigo, pretende-se fazer algumas... more
Conforme se sabe, documentos manuscritos no passado recuperados pelo trabalho filológico são indispensáveis à análise de ocorrências (ou não ocorrências) de mudanças linguísticas de longa duração. Neste artigo, pretende-se fazer algumas descrições paleográficas de parte de um testemunho eclesiástico, De Genere, Vitae Et Moribus, localizado no Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana (MG). Também se pretende apresentar e discutir, mesmo que de forma parcial, a ocorrência de alguns fenômenos linguísticos que podem indicar (i) uma mudança sintática no âmbito de regência verbal e (iii) uso categórico de pronomes em posição proclítica.
Neste texto, objetiva-se suscitar discussão sobre questões relacionadas ao tratamento filológico dado à documentação manuscrita da administração colonial portuguesa no Brasil. Oportunidade para se pensar nas relações entre o contexto de... more
Neste texto, objetiva-se suscitar discussão sobre questões relacionadas ao tratamento filológico dado à documentação manuscrita da administração colonial portuguesa no Brasil. Oportunidade para se pensar nas relações entre o contexto de produção dos documentos coloniais e o estado de língua documentado, uma tarefa que deve considerar o ambiente em que estão inseridos e todas as implicações a esse respeito, principalmente gráficas e autorais. O corpus deste estudo está composto pela produção documental do governo de Rodrigo César de Menezes, na capitania de São Paulo, entre os anos de 1721 e 1728. Trata-se de cartas, cuja autoria intelectual é atribuída ao governador, mas materialmente produzidas pelo secretário de governo, Gervasio Leyte Rebello, e outros inominados. Para este texto, foram escolhidas 5 das cartas analisadas para exemplificar o alcance do trabalho que está sendo realizado em projeto mais amplo, que visa ao conhecimento aprofundado do contexto de produção e circulação de manuscritos no Brasil colonial e a sua contribuição para os estudos sobre a História da Língua Portuguesa.
Recentemente reeditada pela quarta vez, a memória de José Antônio Caldas preparada para seu ingresso na Academia Brasílica dos Renascidos e dedicada ao 7º Conde dos Arcos, a Notícia Geral de toda esta Capitania da Bahia desde o seu... more
Recentemente reeditada pela quarta vez, a memória de José Antônio Caldas preparada para seu ingresso na Academia Brasílica dos Renascidos e dedicada ao 7º Conde dos Arcos, a Notícia Geral de toda esta Capitania da Bahia desde o seu descobrimento até o prezente anno de 1759, apresenta mais do que uma compilação de documentos históricos produzidos até aquele momento. A maior parte da obra apresenta, com riqueza de detalhes, a “Bahia dividida em tres Governos, Ecleziastico, Civil ou Secular, Militar”, o que, por si só, já demonstraria o valor ímpar da obra, não fosse ela, ainda, acompanhada por plantas, fachadas e mapas também produzidos pelo autor. O presente artigo faz uma descrição detalhada do manuscrito, além de apresentar o histórico das edições (diplomática, facsimilar e semidiplomática) preparadas a partir dele.
A edição de textos é uma das atividades mais nobres da Filologia, sendo exercida desde a Antiguidade Clássica, na Grécia. A tarefa de editar está atrelada ao labor praticado pelo ser humano em salvar do esquecimento seus feitos,... more
A edição de textos é uma das atividades mais nobres da Filologia, sendo exercida desde a Antiguidade Clássica, na Grécia. A tarefa de editar está atrelada ao labor praticado pelo ser humano em salvar do esquecimento seus feitos, deixando-os registrados nos mais variados suportes: pedra, argila, papiro, pergaminho, papel e, mais recentemente, nos meios virtuais. Deste modo, os filólogos empreenderam a tarefa de salvaguardar das marcas do tempo os textos, sejam estes literários ou não. Na Bahia, precisamente na Universidade Estadual de Feira de Santana, há o Centro de Documentação e Pesquisa - CEDOC, cujo acervo conta com processos cível e crime dos séculos XIX e XX. Neste acervo, encontramos um processo crime sobre a prática de curandeirismo, o qual vem sendo editado semidiplomaticamente. Para a realização desta edição, procedemos à sua descrição, na qual informamos todos os aspectos extrínsecos, tais como número de fólios, tipo de papel, presença de manchas ou outros danos sofridos pelo suporte, número de linhas, presença de carimbos e/ou sinais especiais, etc.; para a transcrição, trazemos os aspectos intrínsecos, ou seja, a existência de abreviaturas, palavras unidas e/ou separadas, tipo de letra, etc. A opção pela edição semidiplomática se justifica pelo fato de oferecermos, desta forma, um retrato fiel do documento, pois nesse tipo de edição a intervenção do editor é mediana, assim quaisquer pesquisadores terão acesso ao documento sem a necessidade de manuseá-lo, o que evita o seu desgaste físico. Diante do exposto, apresentamos neste artigo a edição semidiplomática do auto de curandeirismo que tem como réus Victorio Araujo da Silva e Pedro Alves d'Almeida. O documento conta com 36 fólios, escritos no recto e no verso.
Este artigo é o texto, com modificações, de uma palestra que proferi em São Paulo, na USP, em uma das Semanas de Filologia, a X, e versa sobre relações entre Filologia, entendida aqui como Crítica Textual, Hermenêutica e Análise de... more
Este artigo é o texto, com modificações, de uma palestra que proferi em São Paulo, na USP, em uma das Semanas de Filologia, a X, e versa sobre relações entre Filologia, entendida aqui como Crítica Textual, Hermenêutica e Análise de Discurso de linha francesa. Para maiores exemplificações, falo também sobre aspectos da transmissão e da recepção de Papéis Avulsos, de Machado de Assis, e de Máximas de virtude e formosura ou Aventuras de Diófanes, de Teresa Margarida da Silva e Orta. É preciso que se diga que tais questões estão relacionadas à materialidade textual, à leitura e à interpretação de textos e têm como exemplo obras e edições publicadas no século XIX e no século XVIII em língua portuguesa.
Este artigo destaca a seleção de textos como etapa decisiva para a construção de corpora linguísticos. Através dos instrumentais da Crítica Textual, investiga-se a representatividade dos textos sob os rótulos folhetim e notícias,... more
Este artigo destaca a seleção de textos como etapa decisiva para a construção de corpora linguísticos. Através dos instrumentais da Crítica Textual, investiga-se a representatividade dos textos sob os rótulos folhetim e notícias, publicados nos periódicos Gazeta de Noticias (Rio de Janeiro), Diario de Noticias (Lisboa) e O Commercio do Porto, entre os anos de 1877 e 1878. Essa representatividade faz-se sentir na relevância sócio-histórica dos diversos conteúdos apresentados. Para o expediente de qualificação dos textos, além de identificar informações extralinguísticas, investe-se no estudo gráfico para compreender a complexidade e justificar a organização dos corpora.
Resenhas das seguintes obras: LOSE, Alícia Duhá; MAZZONI, Vanilda Salignac. Atas da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição da Praia (1869 a 1879) e da Irmandade Nossa Senhora do Rosario, São Benedicto e... more
Resenhas das seguintes obras:

LOSE, Alícia Duhá; MAZZONI, Vanilda Salignac. Atas da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição da Praia (1869 a 1879) e da Irmandade Nossa Senhora do Rosario, São Benedicto e Sant'Anna (1933). Col. Uma história escrita à mão, vol. I.  Salvador: Memória e Arte, 2015, 184p.

LOSE, Alícia Duhá; MAZZONI, Vanilda Salignac. Manuscritos do antigo Recolhimento dos Humildes: documentos de uma história. Col. Uma história escrita à mão, vol. II.  Salvador: Memória e Arte, 2016, 172
La Historia de la Cultura Escrita se preocupa por conocer los usos, significados y apropiaciones de lo escrito en un sentido cada vez más amplio. Bandos, edictos y otros documentos de carácter dispositivo, aunque muy conocidos, no han... more
La Historia de la Cultura Escrita se preocupa por conocer los usos, significados y apropiaciones de lo escrito en un sentido cada vez más amplio. Bandos, edictos y otros documentos de carácter dispositivo, aunque muy conocidos, no han sido objeto de estudios sistemáticos desde los fundamentos teóricos y metodológicos de esta disciplina. Materiales menores, pero también efímeros, que, desde el punto de vista de su tipología, los lugares por los que circularon y su presencia en el espacio público, permiten su inclusión dentro de las llamadas “escrituras expuestas”, término acuñado por Armando Petrucci en su obra La scrittura: ideologia e rappresentazione (1986) de cuyo impulso y recuperación se encarga actualmente el profesor Antonio Castillo Gómez. La importancia de los bandos y pregones durante el periodo colonial ha sido puesta de manifiesto en numerosos estudios, aunque muchos de ellos lo han hecho desde otros enfoques, centrándose primordialmente en el contenido y en los diferentes aspectos que regulaban. Sin embargo, desde esta disciplina pretendemos analizar, además, las diferentes tipologías y discursos; así como los aspectos de la circulación, tanto oral como escrita; y los mediadores y recepción de los mismos. En esta línea, este trabajo plantea un primer acercamiento entre los mundos hispano y americano, analizando los diferentes resultados y controversias surgidas hasta este momento, desde un enfoque trasnacional y estableciendo una propuesta de diálogo y metodología común.
Neste artigo será estudado um conjunto de 32 recibos assinados pelo escultor/entalhador Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, sob a perspectiva da História da Cultura Escrita, integrando-os à dimensão de registros materiais das... more
Neste artigo será estudado um conjunto de 32 recibos assinados pelo escultor/entalhador Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, sob a perspectiva da História da Cultura Escrita, integrando-os à dimensão de registros materiais das práticas da escrita na Capitania de Minas Gerais em fins do século XVIII. A partir de análises formais e materiais, estes documentos são percebidos como sinais materializados da trajetória de vida do artista e relacionados criticamente ao que se conhece atualmente sobre sua biografia, resultando em uma pequena colaboração para o longo trabalho de identificação dos conhecimentos adquiridos e aplicados por este sujeito e da forma como participou da(s) cultura(s) de sua época.
Com a chegada da Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808, o centro de poder imperial transferia-se para a América. Acompanhada de pessoas importantes da nobreza, a Coroa também transladou consigo apetrechos e muitos simbolismos... more
Com a chegada da Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808, o centro de poder imperial transferia-se para a América. Acompanhada de pessoas importantes da nobreza, a Coroa também transladou consigo apetrechos e muitos simbolismos -- refletidos, especialmente, na Casa Real -- o que tentaria garantir uma adequada permanência da realeza em terras americanas. Dentre os súditos ilustrados da monarquia, destacamos o bibliotecário Luís Joaquim dos Santos Marrocos, personagem central da discussão deste artigo, cujo objetivo primeiro está em problematizar a natureza das relações interatlânticas entre os papeis impressos e manuscritos da Coroa na primeira metade do século XIX. Ao situarmos tais balizas, o texto tem como foco três principais temáticas a serem examinadas: a) a vida do bibliotecário Luís Joaquim dos Santos Marrocos entre bibliotecas e a prática de escrita de cartas; b) sua relação com os manuscritos da Coroa; e c) a sistematização e catalogação que preparou sobre a documentação manuscrita da coroa portuguesa.
O objetivo deste artigo é o estudo de contratos portugueses produzidos ao longo dos séculos XV e XVI. Este trabalho é de natureza filológica e situa-se no âmbito do projeto Fontes para a História da Língua Portuguesa: edição de... more
O objetivo deste artigo é o estudo de contratos portugueses produzidos ao longo dos séculos XV e XVI. Este trabalho é de natureza filológica e situa-se no âmbito do projeto Fontes para a História da Língua Portuguesa: edição de manuscritos dos períodos médio e clássico. Procura-se observar o enquadramento linguístico do corpus, levando-se em conta a tipologia, a região e o contexto em que foi produzido, relacionando-o aos fenômenos que marcaram o período de sua produção, especificamente quanto à convergência em --ão das terminações nasais. Os contratos que compõem o corpus integram o fundo da Colegiada de Santa Maria de Guimarães, Noroeste de Portugal, constantes do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. A análise de documentos dos séculos XV e XVI contribui para os estudos sobre a história do português europeu e brasileiro, uma vez que o estudo de fontes manuscritas amplia o conhecimento de documentação do período e supre a inexistência, ou a extrema raridade, de escritos produzidos em terras da América Portuguesa à época. Os contratos analisados espelham uma realidade linguística muito particular e, apesar de produzidos no período do português médio, revelam características que os aproximam de um estado de língua mais antigo. Tal conclusão sugere uma tendência conservadora em documentos notariais do Noroeste, que poderia, conforme o avanço das pesquisas com constituição de corpora de diferentes tipologias, fazer alargar-se ainda mais o período do português médio, cujo fim tradicionalmente coincide com a data da publicação da primeira gramática da língua portuguesa, em 1536, por Fernão de Oliveira.
Los ciegos callejeros fueron unos mediadores culturales que desarrollaron su actividad en España entre los siglos XIV y XX. Por un lado, se dedicaron al rezo de oraciones y, por otro lado, actuaron como difusores de las menudencias de... more
Los ciegos callejeros fueron unos mediadores culturales que desarrollaron su actividad en España entre los siglos XIV y XX. Por un lado, se dedicaron al rezo de oraciones y, por otro lado, actuaron como difusores de las menudencias de imprenta o literatura de cordel, de tal manera que ejercieron de intermediarios entre los textos escritos y el público oyente y/o lector. A pesar de que durante este dilatado período de tiempo despertaron un fuerte interés tanto entre la población como entre los gobernantes, la historiografía no ha generado una elevada cantidad de trabajos sobre este tema. No obstante, creo que puede realizarse un balance de los resultados generados hasta el momento, tarea que me propongo en el presente trabajo. Así, diferencio entre dos líneas de investigación: por un lado, algunos estudiosos han focalizado sus esfuerzos en sacar a la luz la vida y la obra de determinados ciegos copleros autores de literatura popular; por otro lado, unos pocos historiadores se han interesado por las hermandades de ciegos y por el papel que desempeñaron estos en la distribución de materiales menores. Asimismo, a lo largo de todo el artículo, se plantean algunas propuestas para el futuro con las que se pretende avanzar en el conocimiento de este tema.
O presente trabalho pretende abordar a correspondência dita particular, entendida como a documentação trocada no nível pessoal e sem a tramitação burocrática. Essa correspondência será analisada como veículo de transmissão das ideias,... more
O presente trabalho pretende abordar a correspondência dita particular, entendida como a documentação trocada no nível pessoal e sem a tramitação burocrática. Essa correspondência será analisada como veículo de transmissão das ideias, contextualizadas no ideário iluminista e compreendidas como elemento determinante para o progresso material e civilizacional no crepúsculo do Antigo Regime, entre Portugal e Brasil. A partir do Arquivo do Conde da Barca, António de Araújo de Azevedo (1754-1817), Diplomata e Ministro, em Portugal e no Brasil, outrora viajante pela Europa ilustrada, tentamos reconstruir as redes de sociabilidade que contribuíram para o avanço do conhecimento e modernização do Estado.
No início do século XX, levantou-se uma problemática em torno da obra manuscrita Memória História da Capitania de São Paulo (1796), de Manuel Cardoso de Abreu, acusada de ser um plágio de obras dos historiadores setecentistas Pedro Taques... more
No início do século XX, levantou-se uma problemática em torno da obra manuscrita Memória História da Capitania de São Paulo (1796), de Manuel Cardoso de Abreu, acusada de ser um plágio de obras dos historiadores setecentistas Pedro Taques de Almeida Paes Leme -- História da Capitania de São Vicente; Notícia Histórica da Expulsão dos Jesuítas do Colégio de São Paulo e Nobiliarquia Paulistana: Histórica e Genealógica -- e Frei Gaspar da Madre de Deus -- Memórias para a História da Capitania de São Vicente. No entanto, a referência ao plágio no século XVIII é anacrônica, uma vez que a sua prática se configura como uma violação do direito de autor, em sentido estrito de roubo de um texto, somente na primeira metade do século XIX, a partir da formalização dos Direitos Autorais. O confronto dos textos permitiu verificar uma reprodução integral de muitos trechos e parágrafos, mas a Memória Histórica não se configura como sua cópia literal de suas fontes, uma vez que Manuel Cardoso de Abreu inseriu uma série de alterações nos textos que lhe serviram de modelo, dando origem a um novo texto. Isso revela que o aproveitamento das fontes não foi feito sempre por um mero decalque, mas que a intervenção de Abreu foi muitas vezes voluntária e acabou por deixar a sua marca no texto.Desta forma, fundamentando-se nos princípios teóricos e metodológicos da Crítica de Fontes e da Crítica Textual, este trabalho objetiva apresentar os procedimentos de retextualização das fontes de que se valeu Manuel Cardoso de Abreu para a composição de seu texto, com o propósito de disfarce da cópia, os quais incluem a adição ou supressão de elementos linguísticos ou informações textuais, a reordenação da ordem de palavras e orações, a substituição de palavras ou construções gramaticais e a reelaboração de frases, trechos ou parágrafos.
A circulação de notícias no continente europeu tem sido tema de diversos trabalhos nos últimos anos. Para além de produções individuais, criadas e voltadas exclusivamente para determinadas nações, entende-se que o periodismo impresso foi... more
A circulação de notícias no continente europeu tem sido tema de diversos trabalhos nos últimos anos. Para além de produções individuais, criadas e voltadas exclusivamente para determinadas nações, entende-se que o periodismo impresso foi um movimento ocorrido em diferentes partes da Europa que se iniciou em meados do século XVII. Em Portugal isso não foi diferente. Em novembro de 1641, um ano após a Restauração portuguesa e aclamação de Dom João IV, começou a circular em Lisboa a chamada Gazeta da Restauração, periódico considerado o primeiro daquele país, que continha, em sua maioria, notícias relacionadas às batalhas contra Castela nas fronteiras portuguesas. A publicação possuía autorização régia e apresentava constantemente exaltação à nova Coroa. Seu caráter mensal se estendeu de novembro de 1641 a julho de 1642, quando foi suspensa, podendo retornar a circular meses depois, em novo formato. O presente artigo tem o intuito, assim, de discorrer acerca deste periódico e analisar alguns dos temas presentes em suas páginas, pensando em seus impressores e editores e no momento vivido por aquela sociedade, em que a cultura periódica começava a se estabelecer.
No presente artigo proponho analisar as práticas de escrita da história no século XVII português. Elegi duas obras, das mais significativas impressas entre 1640 e 1680 em Portugal: Ásia portuguesa, de Manuel de Faria e Sousa, obra mandada... more
No presente artigo proponho analisar as práticas de escrita da história no século XVII português. Elegi duas obras, das mais significativas impressas entre 1640 e 1680 em Portugal: Ásia portuguesa, de Manuel de Faria e Sousa, obra mandada imprimir pelo filho do autor, Pedro de Faria e Sousa, em 1666; e História de Portugal Restaurado, de D. Luis de Menezes, terceiro conde da Ericeira, impressa em 1679. A análise das obras ficou restrita aos preambulares, pois é nesta parte em que os autores ou editores escrevem sobre o teor da obra e como ela se enquadra no gênero ao qual pertence -- no caso, o histórico. Por se tratar do estudo das práticas de escrita de um gênero, analisei os textos a partir de uma perspectiva retórica, uma vez que eram as artes retóricas que regravam a escrita no período estudado. Assim, identifiquei três autoridades do gênero histórico às quais os autores costumavam recorrer para autorizar o seu discurso: Cícero (do século I a. C.), Luciano de Samósata (século II d. C.) e Agostino Mascardi (século XVII).
Neste trabalho, aborda-se uma documentação de foro privado, o Livro do Gado e o Livro de Razão do Brejo do Campo Seco, no sertão da Bahia, com 57 e 195 folhas, respectivamente, escritos por três gerações, do último quartel do século XVIII... more
Neste trabalho, aborda-se uma documentação de foro privado, o Livro do Gado e o Livro de Razão do Brejo do Campo Seco, no sertão da Bahia, com 57 e 195 folhas, respectivamente, escritos por três gerações, do último quartel do século XVIII ao terceiro quartel do século XIX. São documentos importantes para a história do português brasileiro, de forma particular para a história de penetração e difusão da escrita na Bahia. A edição semidiplomática e edição digital que se pretende realizar desses textos -- cujas metodologias estão aqui descritas -- atendem a uma das agendas do Projeto Nacional Para uma História do Português Brasileiro (PHPB), que vem divulgando corpora manuscritos e impressos de períodos pretéritos, para estudo da história do português culto e do português popular do Brasil. Essas edições servirão não apenas a pesquisadores interessados em aspectos linguísticos, da difusão da escrita, da leitura, das transmissões textuais, mas em aspectos históricos, políticos, econômico-sociais, entre outros.
Tradução ao português do texto "Paleografía versus Alfabetización. Reflexiones sobre Historia Social de la Cultura Escrita", originalmente em espanhol, elaborada por Leonardo Lennertz Marcotulio e Adriana Angelita da Conceição.
Resumo: Este trabalho tem por objetivo apresentar de maneira descritiva alguns aspectos referentes à amostra Casal dos anos 30. Por se tratarem de pessoas não-ilustres, não foi possível obter muitos dados sobre o perfil social dos... more
Resumo: Este trabalho tem por objetivo apresentar de maneira descritiva alguns aspectos referentes à amostra Casal dos anos 30. Por se tratarem de pessoas não-ilustres, não foi possível obter muitos dados sobre o perfil social dos missivistas, mas, a partir da leitura das cartas, alguns aspectos sobre o casal de noivos puderam ser observados. Além das informações familiares verificadas com a leitura das cartas, constatou-se diferença quanto ao grau de letramento entre os escreventes Maria (MRC) e Jayme (JOS). Enquanto a noiva MRC apresenta mais desvios grafemáticos que o noivo, JOS utiliza alguns recursos estilísticos para tornar seu texto mais erudito.

Abstract: This work aims to present descriptively some aspects of the sample letters of a couple of the Rio de Janeiro, in 1936 and 1937. Since they are unknown people, we could not get any information about the social profile of the writers. However, from reading the letters, some aspects of the bridal couple could be observed. In addition to the familiar information verified by reading the letters, there was difference in the degree of literacy among the scribes Maria (MRC) and Jayme (JOS). While the bride MRC has more graphematic deviations than the groom, JOS uses some stylistic features to make his text seems more erudite.
Resumo: Esse artigo explora relações intertextuais em cartas de amor escritas nos anos 30 do século XX, no Rio de Janeiro. O principal objetivo é ler essas cartas à luz da canção popular brasileira, especialmente aquela produzida no... more
Resumo: Esse artigo explora relações intertextuais em cartas de amor escritas nos anos 30 do século XX, no Rio de Janeiro. O principal objetivo é ler essas cartas à luz da canção popular brasileira, especialmente aquela produzida no período em que as cartas foram escritas. A hipótese central é a de que tanto as cartas reproduzem o discurso amoroso das canções populares quanto na mesma medida em que as canções retratam a vida e o amor entre as classes trabalhadoras então nascentes no Brasil do século XX.

Abstract: This article explores intertexts in love letters wrote in Rio de Janeiro during the 30's. We will walk the reader intertwining the letters proper with the lyrics of popular Brazilian songs – especially those of the period when the letters were exchanged. Our hypothesis is that the love letters writers tend to reproduce certain aspects of the love discourse genre which are similar to those found in popular songs. That is also the picture which is to be found in Brazilian songs about the new born working classesíove and life in the 20 th century in Brazil.
Resumo: Este artigo analisa o comportamento das vogais médias pretônicas em missivas de um casal não ilustre do início do século XX. Trata-se de um estudo diacrônico, que parte dos preceitos da Sociolinguística Histórica e investiga a... more
Resumo: Este artigo analisa o comportamento das vogais médias pretônicas em missivas de um casal não ilustre do início do século XX. Trata-se de um estudo diacrônico, que parte dos preceitos da Sociolinguística Histórica e investiga a relação entre a variação existente na representação grafemática dessas vogais, na década de 1930, e o grau de contato dos autores com modelos de escrita. Mais especificamente, em um primeiro momento, as ocorrências são selecionadas a partir dos modelos de escrita atuais. A fim de verificar se os dados de fato refletem desvios grafemáticos ou se correspondem ao padrão que vigorava, utilizam-se, ainda, registros escritos de dois jornais de grande circulação na mesma época. Assim, constata-se ora a correspondência entre os periódicos e as missivas, ora o seu distanciamento, já que alguns casos refletem, ainda que em diferentes níveis, marcas de fala e/ ou a insegurança sobre os padrões ortográficos então vigentes.

Abstract: This article analyzes the behavior of the middle unstressed vowels in missives from a non illustrious couple of the early twentieth century. This is a diachronic study, that takes some of the precepts of the Historical Sociolinguistics and investigates the relationship between the variation in graphematic representation of these vowels, in the 1930s, and the degree of contact with the authors writing models. More specifically, at first, the occurrences are selected from the current written models. In order to verify that the actual data reflect graphematic deviations or match the pattern in force, it is also used written records of two major newspapers at the same time. Thus, it appears now the correspondence between the journals and letters, or its distance, as some cases reflect, albeit at different levels, speech marks and/or insecurity about the then current spelling standards.
Este artigo visa a analisar os desvios grafemáticos do <r> efetuados por um casal de noivos, que trocou 97 cartas de amor entre 1936 e 1937 na cidade do Rio de Janeiro. Por não terem sido pessoas ilustres, não há informação sobre eles... more
Este artigo visa a analisar os desvios grafemáticos do <r> efetuados por um casal de noivos, que trocou 97 cartas de amor entre 1936 e 1937 na cidade do Rio de Janeiro. Por não terem sido pessoas ilustres, não há informação sobre eles disponível em acervo público e, com isso, todo o conhecimento extralinguístico é obtido diretamente de conteúdo dessas cartas. Dessa forma, por meio de desvios grafemáticos, tais como elisão, rotacismo, metátese, hipercorreção e até mesmo a familiaridade com as grafias <r> e <rr>, pretende-se traçar o perfil e o grau de letramento do casal. Para tanto, esta pesquisa fundamenta-se em uma análise de natureza filológica e sociolinguística histórica.
This paper presents a diachronic account of the syntax of subjects in Portuguese by comparing three different constructions – active, canonical passives and SE-constructions – relating the change in the position of subjects to the loss of... more
This paper presents a diachronic account of the syntax of subjects in Portuguese by comparing three different constructions – active, canonical passives and SE-constructions – relating the change in the position of subjects to the loss of V2. In the V2 grammar, in which the pre-verbal position is associated with fronted elements, and non-fronted subjects remain in post-verbal position, we see the same patterns of word order in SE-constructions as in active and canonical passive sentences; in the (X)SVO grammar, in which the subject is associated with the preverbal position and the fronted elements occupy the left periphery of the clause, active and canonical passives show a significant increase of pre-verbal subjects, whereas SE-constructions remain alike with respect to word order. We interpret this result as evidence for analyzing the internal argument of SE-constructions as a complement rather than a subject.

Resumo: Este artigo apresenta uma análise diacrônica para a sintaxe dos sujeitos em português através da comparação de três construções diferentes – ativas, passivas e construções com SE – relacionando a mudança na posição dos sujeitos à perda de V2. Na gramática V2, na qual a posição pré-verbal está associada a elementos topicalizados, e sujeitos não topicalizados permanecem na posição pós-verbal, encontramos os mesmos padrões de ordem nas construções com SE, nas ativas e nas passivas; na gramática (X)SVO, na qual a posição do sujeito está associada a uma posição pré-verbal e os elementos topicalizados ocupam a periferia à esquerda da sentença, as construções ativas e passivas apresentam um aumento significativo no percentual de sujeitos pré-verbais, ao passo que as construções com SE permanecem estáveis com relação à ordem. Interpretamos esse resultado como evidência para analisar o argumento interno das construções com SE como sendo um complemento e não um sujeito.
Resumo: A discussão acerca da periodização do português em geral se baseia em fatores de cunho morfo-fonológicos. A periodização de Galves, Namiuti e Paixão de Sousa (2006, doravante GNPS), que se baseia em fatores sintáticos, como a... more
Resumo: A discussão acerca da periodização do português em geral se baseia em fatores de cunho morfo-fonológicos. A periodização de Galves, Namiuti e Paixão de Sousa (2006, doravante GNPS), que se baseia em fatores sintáticos, como a posição do verbo, propõe uma divisão alternativa à tradicional, considerando que o português arcaico e clássico eram línguas V2. Contudo, não há consenso em relação à que tipo de gramática pertencia o português em tempos pretéritos. Além disso, a problemática envolve uma questão teórica importante: a periodização de GNPS é baseada na noção de gramática de Chomsky (1985) convencionada como Língua-I, o que apresenta uma consequência sobre o critério de datação dos documentos: uma vez que a emergência de uma nova gramática é analisada como parte do processo de aquisição, um critério de datação relevante a se seguir será não a data em que um texto foi escrito, mas a data de nascimento do autor. No entanto, as discussões acerca da posição do verbo no português arcaico raramente contemplam a questão da periodização. Assim, este artigo se propõe a revisar as principais análises sobre a sintaxe do verbo no português arcaico, relacionando essa discussão com a questão da periodização.


Abstract: The discussion on the periodization of Portuguese is generally based on morphophonological factors. The periodization proposed in Galves, Namiuti and Paixão de Sousa (2006, henceforth GNPS) suggests an alternative segmentation, which is based in syntactic factors, among them, the position of verb. They argue that Portuguese had, in previous phases, a V2 syntax. Nevertheless, there are no consensus about it in the literature. Besides, the issue also involves an important theoretical question: GNPS's proposal is based on Chomsky's (1985) notion of grammar. According to this perspective, grammatical change is the result of the relation between the individual's innate capacities and language knowledge experienced by the successive speaker's generations. Linguistic change consequently takes place in the language acquisition. This notion of grammatical change presents an important consequence on the criteria to divide the language's different phases: since the emergence of a new grammar is analyzed as part of the acquisition process, a relevant criterion should be the date in which the author of the document was born and not the date in which the text was written. Consequently, GNPS's periodization has a different division than the traditional ones. However, the discussion on the verb position in Old Portuguese barely look on the periodization issue. Given these facts, this paper aims to review the most relevant analyses on Old Portuguese verb syntax, relating the discussion to the periodization issue.
Resumo: Na gramática tradicional, quando se fala em concordância nas línguas românicas ibéricas, faz-se sempre referência à que se dá entre o sujeito e o predicado (Conc S↔P), por norma quanto à pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) e quanto ao número... more
Resumo: Na gramática tradicional, quando se fala em concordância nas línguas românicas ibéricas, faz-se sempre referência à que se dá entre o sujeito e o predicado (Conc S↔P), por norma quanto à pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) e quanto ao número (singular e plural), mas pode afetar ao género quando se fala em construções passivas. Em determinadas línguas românicas (francês, italiano, sardo, catalão etc.) existe, aliás, uma dupla concordância de sujeito e objeto com o verbo (Conc S↔P↔O), como em catalão les pomes, pro les he comprades les pomes, onde esta segunda concordância é de género e número. Porém, existe uma terceira concordância, que é a de objeto e predicado (Conc P↔O), que partilha traços com a primeira, pois também afeta a pessoa e o número. É desta terceira que trataremos a seguir, pois só se produz em contextos muito concretos, os da voz média (impessoal e ergativa), que tem caraterísticas exclusivas em ibero-românico (portugalego, espanhol e catalão), com uma estrutura sintática complexa, que requer do sintagma diatético (SDiat) para explicar a sua natureza, bem como dos sintagmas de concordância de sujeito (SConcS) e de objeto (SConcO).

Abstract: When traditional Grammar mentions agreement in the Iberian-Romance languages, it just refers to the existing agreement between Subject and Predicate (Agr S↔P) regarding the person (1 st , 2 nd or 3 rd) and the number (singular and plural), but it may also affect gender when dealing with passive constructions. Some Romance languages (French, Italian, Sardinian, Catalan) also know double agreement affecting both Subject and Object (Agr. S↔P↔O), as in Catalan les pomes, pro les he comprades les pomes, where the second agreement affects both gender and number. Yet there is a third type of agreement: Object Agreement (Agr. P↔O), which shares some features with the first type of agreement, since it also refers to both person and number. It is this third type of agreement we will focus on, as it occurs in very specific syntactic contexts (the so-called ergative and impersonal middle voice); it presents exclusive features in the Iberian-Romanian languages (Portugalician, Spanish and Catalan), with a complex syntactic structure requiring from the Diathesis Phrase (DiatP) and a couple of Agreement Phrases (SubjAgP and ObjAgrP) to explain its nature.
Resumo: À luz da Teoria gerativa de Princípios e Parâmetros (CHOMSKY, 1981), observaremos se as construções com SE são evidências, assim como a colocação pronominal (PAGOTTO, 1993; CARNEIRO, 2005), para apontarmos que o século XIX é um... more
Resumo: À luz da Teoria gerativa de Princípios e Parâmetros (CHOMSKY, 1981), observaremos se as construções com SE são evidências, assim como a colocação pronominal (PAGOTTO, 1993; CARNEIRO, 2005), para apontarmos que o século XIX é um período de competição de gramáticas na escrita de brasileiros. Para tanto, utilizaremos a análise de Raposo e Uriagereka (1996) para as construções com SE, segundo a qual não há SE-passivo, mas apenas SE-indefinido ou SE-genérico que funcionam como sujeito da oração. A amostra é constituída por cartas de leitores, cartas de redatores e anúncios publicados em jornais cariocas durante o século XIX.

Abstract: Based on Generative Theory of Principles and Parameters (CHOMSKY, 1981), we will observe whether the constructions with SE are evidence, as well as pronoun placement (PAGOTTO, 1993; CARNEIRO, 2005), to point out that the nineteenth century is a period of grammar competition. Our assumption regards the analysis of Raposo and Uriagereka (1996) for constructions with SE, according to which there is no passive SE, but only indefinite SE and generic SE, which function as the subject of the sentence. The sample consists of letters from readers and editors, as well as newspaper advertisements from Rio de Janeiro during the nineteenth century.
Este artigo trata do tema da colocação do clítico " se " em complexos verbais nas amostras brasileira e europeia. Vale-se de corpus da modalidade escrita de editoriais, notícias e anúncios produzidos nos séculos XIX e XX. Com base na... more
Este artigo trata do tema da colocação do clítico " se " em complexos verbais nas amostras brasileira e europeia. Vale-se de corpus da modalidade escrita de editoriais, notícias e anúncios produzidos nos séculos XIX e XX. Com base na sociolinguística laboviana, desenvolve-se o tratamento estatístico dos dados provido pelo Goldvarb-X. Investigam-se, então, as trajetórias dos diferentes tipos de " se " , para se atestar as possíveis semelhanças e diferenças entre as escritas brasileira e europeia. Além disso, verifica-se se o comportamento dos dados reflete a existência de uma regra variável. Assim, analisam-se os possíveis condicionamentos linguísticos favorecedores de cl V1 V2 (se pode fazer), V1-cl V2 (pode-se fazer), V1 cl V2 (pode se fazer) e V1 V2-cl (pode fazer-se). Observa-se que a escrita, por vezes, aproxima as normas, como no contexto de início absoluto de período/oração, em se que recusa a próclise a V1 nas duas amostras, e aos complexos participiais, que não registram dados de ênclise a V2. Os padrões cultos escritos brasileiro e europeu assemelham-se, especificamente, no caso do indeterminador, nos dois séculos em questão. Por outro lado, o uso do reflexivo parece ser a questão central na diferenciação entre as duas normas estudadas. Enquanto os brasileiros parecem vincular suas escolhas aos tipos de " se " , em que o reflexivo tende a figurar adjacente a V2 (inclusive em próclise) e o indeterminador adjacente a V1, os europeus o fazem de forma mais suave e parecem relacionar suas escolhas também à forma do verbo principal e à presença de " proclisador " , especialmente com o indeterminador. A atuação do " proclisador " com o reflexivo é branda também no PE, mesmo assim, um pouco mais efetiva do que no PB. Ao final do século XX, as diferenças evidenciam-se ainda mais quando se registra o aumento da próclise a V2 no Brasil. No PE a variante não é empregada.
Resumo: O pronome você na variedade europeia do português tem um comportamento discursivo muito complexo. Este facto faz com que os diferentes autores que se dedicaram a analisar os usos deste pronome não concordem com o seu valor real e... more
Resumo: O pronome você na variedade europeia do português tem um comportamento discursivo muito complexo. Este facto faz com que os diferentes autores que se dedicaram a analisar os usos deste pronome não concordem com o seu valor real e atual. Embora o Português Brasileiro tenha especializado você como pronome familiar, substituindo em ocasiões tu, o caso europeu apresenta contextos de uso de você aparentemente contraditórios: tratamento informal, tratamento formal e, até um determinado ponto, tratamento pejorativo. Este trabalho pretende refletir sobre o uso de você em Português Europeu, sobre uma perspetiva diacrónica e à luz da pragmática da cortesia. Para tal, extraímos dados de três diversos corpora que revelam o uso real de você ao longo do século XX, já que é a partir do XIX que você se especializa, em princípio, para a informalidade. Os resultados mostram um uso pouco expressivo deste pronome de tratamento e uma certa polivalência do mesmo, como efeito da paulatina marginalização que tem experimentado desde há mais de cem anos.

Abstract: The pronoun você in European Portuguese has a very complex discursive behaviour. This fact has made different authors that analyzed the usage of this pronoun to disagree on its real and current value. Although the Brazilian Portuguese has specialized você as an informal pronoun, occasionally replacing tu, the European case presents contexts of usage of você that are apparently contradictory: informal address, formal address and to a certain extent pejorative address. This works aims to reflect on the usage of this pronoun in European Portuguese, from a diachronic perspective and in the light of the politeness principles. In order to do that we have obtained data from three different corpora that replicate the real usage of você throughout the 20 th century, since it is from the 19 th century that você, in principle, starts specializing as an informal pronoun. The results show an inexpressive usage of this politeness form and a certain polyvalence of it, as the effect of a gradual marginalisation that it has experienced for over one hundred years.
Apresentaremos, neste artigo, a metodologia de pesquisa empregada para estudos diacrônicos sobre sufixos, de acordo com métodos criados no Grupo de Morfologia Histórica do Português (GMHP), grupo de pesquisa criado em 2004, e do Núcleo de... more
Apresentaremos, neste artigo, a metodologia de pesquisa empregada para estudos diacrônicos sobre sufixos, de acordo com métodos criados no Grupo de Morfologia Histórica do Português (GMHP), grupo de pesquisa criado em 2004, e do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa (NEHiLP), núcleo de pesquisa criado em 2013, liderados pelo Dr. Mário Eduardo Viaro e sediados na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa foi feita analisando o sufixo –mentum latino e seus derivados nas línguas castelhana (–mento/–miento), francesa (–ment), italiana (–mento), romena (–mânt/–ment) e portuguesa (–mento/–menta). Apresentamos a formação dos corpora utilizados e, ao final, o resultado das análises feitas.
Resumo: O objetivo desse artigo é discutir os conceitos básicos do fenômeno da gramaticalização, aplicando-os a fenômenos de mudança na história do português. A proposta de cunho didático baseia-se na versão mais clássica do paradigma da... more
Resumo: O objetivo desse artigo é discutir os conceitos básicos do fenômeno da gramaticalização, aplicando-os a fenômenos de mudança na história do português. A proposta de cunho didático baseia-se na versão mais clássica do paradigma da gramaticalização abordando, principalmente, a perda e adoção de propriedades morfossintáticas nos processos de recategorização. Além dos exemplos recorrentemente utilizados na discussão do fenômeno de gramaticalização (amare habeo > amarei; nome mente > sufixo adverbial), outros fenômenos relevantes para a história do português são abordados: a pronominalização de nominais (gente > a gente, Vossa Mercê > você) e a formação de juntivos/conjunções/conectores a partir de advérbios. A análise dos casos escolhidos comprova que a gramaticalização não é um processo que possa extinguir, mesmo nos estágios cronologicamente mais avançados. As descrições apresentadas evidenciam que, nos processos de gramaticalização, há sempre permanências ou resquícios de etapas anteriores. A identificação de propriedades formais e semânticas que persistem nos itens/ construções gramaticalizadas ajuda a compreender algumas aparentes idiossincrasias comuns a categorias gramaticais oriundas de processos de gramaticalização.

Abstract: The aim of this paper is to discuss the basic concepts of the grammaticalization phenomenon, applying them to some change processes in the history of Portuguese. The didactic proposal is based on the most classic version of grammaticalization paradigm, discussing mainly the loss and acquisition of morphosyntactic properties in the recategorization processes. First, we present data that are recurrently used to discuss the phenomenon of grammaticalization (amare habeo > amarei; noun mente > adverbial suffix). Then, we discuss other relevant phenomena in the history of Portuguese: the pronominalization of nominal expressions (gente 'people " > a gente; Vossa Mercê > você) and the formation of conjunctions from adverbs. The analysis of the selected cases proves that the grammaticalization is not a process that can extinguish, not even during the chronologically later stages. The descriptions presented show that in the grammaticalization processes some original properties will tend to survive in the new grammaticalized form. The identification of formal and semantic properties that persist in the lexical items/constructions helps us to understand some apparent common idiosyncrasies of grammatical categories coming from grammaticalization processes.
Neste trabalho, busca-se discutir a produtividade das estratégias pronominais de referência ao sujeito de 2a pessoa do discurso e os tipos de relações sociais travadas entre remetente e destinatário em missivas cariocas e mineiras... more
Neste trabalho, busca-se discutir a produtividade das estratégias pronominais de referência ao sujeito de 2a pessoa do discurso e os tipos de relações sociais travadas entre remetente e destinatário em missivas cariocas e mineiras oitocentistas e novecentistas. O foco deste estudo são os tipos de relações sociais que parecem condicionar a frequência de uso das estratégias pronominais de 2a pessoa no Brasil à luz da Teoria do Poder e da Solidariedade pensada por Brown e Gilman (1960). De uma forma geral, nas missivas cariocas e mineiras caracterizadas pelas relações sociais simétricas e assimétricas, observou-se a difusão do você, parecendo já sedimentar a semântica da Solidariedade no Brasil novecentista.
Resumo: Apresentamos neste artigo uma análise sócio-diacrônica das formas de tratamento na função de sujeito em cartas pessoais dos estados da Bahia, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, na região nordeste, num recorte temporal que... more
Resumo: Apresentamos neste artigo uma análise sócio-diacrônica das formas de tratamento na função de sujeito em cartas pessoais dos estados da Bahia, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, na região nordeste, num recorte temporal que contempla os séculos XIX e XX. Os resultados mostram que nas cartas da região nordeste o subsistema de tratamento exclusivo de você é mais frequente em quase todas as décadas dos dois séculos observados. Esse quadro já se encontra bastante consolidado na primeira metade do século XX, mais especificamente na década de 1910. As escolhas das demais formas de tratamento estão diretamente vinculadas ao tipo de relação estabelecida entre os escreventes, considerando mais poder ou mais solidariedade nos diferentes contatos.

Abstract: In this paper, we present a socio-diachronic analysis of address forms in subject function in personal letters of the states of Bahia, Pernambuco and Rio Grande do Norte, in a time frame covering the nineteenth and twentieth centuries. The results show that in the letters of the Northeast region the prevailing subsystem of address includes the pronoun você (you) in almost every decade of the two centuries and that this framework was already well consolidated in the first half of the twentieth century, more specifically in the 1910s. The choice of other address forms is directly linked to the type of relationship established between the scribes, considering more power or more solidarity in various contacts.
Resumo: Neste estudo, com base nos pressupostos da Teoria da Variação e Mudança Linguística, apresentamos resultados das primeiras pesquisas referentes à descrição da alternância dos pronomes tu e você em posição de sujeito em cartas... more
Resumo: Neste estudo, com base nos pressupostos da Teoria da Variação e Mudança Linguística, apresentamos resultados das primeiras pesquisas referentes à descrição da alternância dos pronomes tu e você em posição de sujeito em cartas pessoais de Santa Catarina, a partir de uma perspectiva diacrônica. Em um primeiro momento, analisamos cartas de florianopolitanos ilustres escritas nos séculos XIX e XX, constatando a entrada do pronome você, sempre em sua forma plena, nos dados do século XX. Partimos, então, para uma análise diatópica, em que comparamos missivas produzidas por informantes não ilustres das cidades de Florianópolis e Lages na segunda metade do século XX, apontando para uma preferência geral pelo uso da forma tu na capital catarinense e para uma preferência geral pelo uso da forma você na cidade do planalto – sendo que o pronome-sujeito tu manifesta-se majoritariamente em sua forma nula e o pronome-sujeito você manifesta-se majoritariamente em sua forma plena em ambas as localidades. Os resultados sugerem, além um já pressuposto contraste diacrônico (entrada do pronome você no sistema de tratamento do século XX), também um contraste diastrático (entre a escrita dos informantes ilustres e a escrita dos informantes não ilustres) e um contraste diatópico (entre a escrita da cidade de Florianópolis e a escrita da cidade de Lages).

Abstract: Based on the Theory of Variation and Change, in this paper the first results concerning the second person pronouns diachronic alternation in the subject position (tu ~ você) found in personal letters from Santa Catarina State (Brazil) are presented. Firstly, letters written in the 19 th and 20 th centuries by famous writers from Florianópolis are analyzed, indicating the entrance of você in the address forms system of Santa Catarina State in the 20 th century. Then, in a diatopic analisys between letters written by non famous people from Florianópolis and letter written by non famous people from Lages in the second half of the 20 th century, a preference for the pronoun tu in Florianopolis and for the pronoun você in Lages is shown. In both cities, tu is related to a null subject, while você is related to a full subject. Results suggest that, besides the diachronic contrast, it is also possible to identify a contrast between the letters written by famous and non famous people (diastratic variation) and a contrast between letters written in Florianópolis and Lages (diatopic variation).
Este estudo objetiva analisar a alternância dos pronomes te e lhe como oblíquos de 2a pessoa, na função de acusativo, em cartas pessoais cearenses, escritas durante o século XX, à luz dos pressupostos teórico- metodológicos da... more
Este estudo objetiva analisar a alternância dos pronomes te e lhe como oblíquos de 2a pessoa, na função de acusativo, em cartas pessoais cearenses, escritas durante o século XX, à luz dos pressupostos teórico- metodológicos da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 1972; 1994). A amostra a ser analisada é composta por 186 cartas pessoais escritas por cearenses. Busca-se investigar a atuação dos grupos de fatores tipo semântico do verbo; estrutura do verbo; posição do clítico em relação ao verbo e a variável extralinguística década em que as cartas foram escritas. Os dados analisados foram submetidos ao programa computacional GoldVarb X (SANKOFF; TAGLIAMONTE; SMITH, 2005) e indicam que a) como acusativo de 2a pessoa, a forma te (60%) é mais recorrente do que a forma lhe (40%); b) verbos do tipo dicendi favorecem o uso de lhe (68%), enquanto verbos de sentimento o desfavorecem (12%); c) nas ocorrências de ênclise, lhe foi mais frequente (60%) do que te (40%); e d) a variação de te~lhe acusativo nos anos 1940-1959 foi de 44% de te e 56% de lhe, havendo um uso bem maior de te (70%) do que de lhe (30%) nos anos de 1980-1999.
Neste artigo, analisam-se as formas pronominais dativas de 2a pessoa, quais sejam: os clíticos te e lhe, os sintagmas preposicionados a ti, para ti, a você e para você e o objeto nulo (sem realização fonética). Entende-se por dativo o... more
Neste artigo, analisam-se as formas pronominais dativas de 2a pessoa, quais sejam: os clíticos te e lhe, os sintagmas preposicionados a ti, para ti, a você e para você e o objeto nulo (sem realização fonética). Entende-se por dativo o argumento interno dos verbos de dois ou três lugares, com papel temático de alvo ou fonte, substituível por lhe. Discutem-se os fatores linguísticos e extralinguísticos que atuaram no (des)favorecimento dessas variantes durante o período de difusão do você no português brasileiro, por volta dos anos 1930 (cf. DUARTE, 1995). Descreve-se, também, a combinação do clítico dativo te com o sujeito você em construções como “Você leu o livro que eu te dei?”. Tal combinação, analisada tradicionalmente como “ruptura” da uniformidade de tratamento, é uma construção amplamente aceita e sem estigma social no PB atual (BRITO, 2001). O corpus de análise é constituído por 318 cartas particulares escritas por cariocas e fluminenses no período de um século (1880-1980). Como aparato teórico-metodológico, aplicam-se os pressupostos da sociolinguística variacionista laboviana (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 1968; LABOV, 1994) e os da sociolinguística histórica (CONDE SILVESTRE, 2007; HERNÀNDEX-CAMPOY; CONDE SILVESTRE, 2012).
Resumo: O presente trabalho orienta-se para o estudo da forma possessiva teu em oposição à forma seu, através de duas perspectivas: na diacronia e na sincronia. Para a análise diacrônica, observa-se a utilização das estratégias... more
Resumo: O presente trabalho orienta-se para o estudo da forma possessiva teu em oposição à forma seu, através de duas perspectivas: na diacronia e na sincronia. Para a análise diacrônica, observa-se a utilização das estratégias possessivas em cartas pessoais de diferentes famílias datadas de 1870 a 1980. No total foram utilizadas 143 cartas para compor o corpus, no entanto, com o intuito de fazer uma análise mais confiável, tais cartas foram divididas em torno de 10 cartas por década. Na análise sincrônica, observou-se a variação entre as formas possessivas através de esquetes do canal " Porta dos Fundos ". Desta maneira, busca-se descrever a utilização dessas formas, observando seus usos de acordo com a situação comunicativa estabelecida, através dos padrões discutidos pela teoria do Poder e Solidariedade (BROWN; GILMAN, 1960). O estudo também leva em conta os pressupostos teóricos da teoria variacionista quantitativa laboviana (LABOV, 1994), visando identificar os fatores linguísticos e extralinguísticos que determinam o uso dos pronomes possessivos referentes à segunda pessoa do singular. Em síntese, este estudo preliminar aponta que as formas possessivas tendem a acompanhar o comportamento do sujeito na diacronia e que o possessivo seu, aparentemente, possui um comportamento polifuncional.

Abstract: The current work is oriented towards the study of the possessive form "teu" in opposition to the form "seu", through two viewpoints: in diachrony and in synchrony. Regarding the diachronic analysis, the use of possessive strategies is observed in personal letters from different families dated from 1970 to 1980. In total, 143 letters were used to compose the corpus, however, to conduct a more reliable analysis, the letters were divided into 10 letters per decade. Regarding the synchronic analysis, the variation between possessive forms was observed through skits from the show "Porta dos Fundos". In this manner, we seek to describe the use of these forms, noting their uses according to the communicative situation established by the standards discussed in the theory of Power and Solidarity (BROWN; GILMAN, 1960). The study also takes into account the theoretical assumptions of quantitative theory variationist Labovian (LABOV, 1994), aiming to identify the linguistic and extralinguistic factors that determine the use of pronouns of possessive pronouns referring to the second person singular. In summary, this preliminary study suggests that the possessive forms tend to track the subject's behavior in the diachronic and the possessive "seu" apparently has a multi-functional behavior.
O presente artigo propõe a inserção de uma nova categoria para analisar o uso das formas de tratamento (doravante FT’s) em língua portuguesa, especificamente no português brasileiro setecentista e oitocentista. Uma das principais... more
O presente artigo propõe a inserção de uma nova categoria para analisar o uso das formas de tratamento (doravante FT’s) em língua portuguesa, especificamente no português brasileiro setecentista e oitocentista. Uma das principais categorias utilizadas em pesquisas que buscam descrever e analisar a história e o uso das FT’s são aquelas ligadas à simetria e à assimetria das relações epistolares, que procuram estabelecer as FT’s preferenciais de acordo com o tipo de relação. A partir de um corpus constituído por cartas oficiais lavradas na capitania de São Paulo entre 1765 e 1775, procedeu-se à classificação das relações epistolares em simétricas e assimétricas, apoiada em rigoroso estudo do contexto sócio-histórico da época. Verificou-se, no entanto, que, independentemente da simetria ou assimetria da relação, a FT preferencial era vossa mercê. A fim de comprovar se se tratava de uma particularidade da amostra, ampliou-se o corpus de pesquisa, acrescentando-se documentação de natureza semelhante com datação tópica variada, a saber: capitanias do Rio de Janeiro, de Santa Catarina e da Bahia, além de cartas da região da Baixada Santista. Novamente, constatou-se o largo uso da abreviatura correspondente à FT vossa mercê tanto nas relações simétricas quanto assimétricas. Propõe-se, então, o uso da categoria socioprofissional do remetente e do destinatário — de acordo com abordagem teórica desenvolvida por Marquilhas (2000) — associada à classificação da relação epistolar nos eixos simétrico e assimétrico. A categoria socioprofissional é fator relevante para a escolha de FT ́s, conforme demonstrado por Monte (2013). O tratamento entre a categoria socioprofissional dos militares, por exemplo, dá-se quase exclusivamente por vossa mercê, independentemente da simetria/assimetria da interlocução, enquanto eclesiásticos marcavam linguisticamente as posições hierárquicas superiores por meio do uso de FT's de alto valor honorífico, como vossa senhoria e vossa reverendíssima.
Brasil, Moçambique e Angola compartilham da língua portuguesa. Entretanto, esse sistema linguístico é atualizado de modos particulares em função de cada um dos contextos nacionais e de suas idiossincrasias. Particularmente, essa situação... more
Brasil, Moçambique e Angola compartilham da língua portuguesa. Entretanto, esse sistema linguístico é atualizado de modos particulares em função de cada um dos contextos nacionais e de suas idiossincrasias. Particularmente, essa situação é válida ao se observar os usos pronominais da língua portuguesa em suas variedades brasileira, angolana e moçambicana. Ao se considerar apenas situações de interlocução, o sistema dispõe de pronomes pessoais que contemplam recursos pragmáticos de cortesia, intimidade, polidez, distanciamento hierárquico etc. por meio de formas como tu, você, o senhor/a senhora, vocês, os senhores/as senhoras. Além dessas formas pronominais, ainda está disponível sistemicamente ao falante a ausência do pronome (ou forma zero), em que a marca pessoal é demonstrada pela desinência verbal. Para a realização dessa pesquisa comparativa entre as três variedades do português, algumas escolhas metodológicas foram decisivas. Em especial, fez-se imprescindível o resgate de uma metodologia utilizada por pesquisadores brasileiros nos anos 1980. Trata-se do emprego de fotografias como motivador para a realização das entrevistas com os informantes. A partir da seleção das imagens de perfis sociais, foi possível realizar as entrevistas com os informantes. A proposta feita aos entrevistados era que lhes seria indicada, para cada imagem, uma instrução específica contendo um pedido acerca de endereço, referência a uma pessoa, o preço de determinado produto etc. Tendo compreendido a instrução, o informante estabelecia um diálogo com a pessoa da fotografia – a maioria dos informantes compreendia prontamente a proposta da entrevista e produzia naturalmente diversas formas de tratamento. Em geral, há a possibilidade de se estabelecer algumas tendências no comportamento linguístico dos informantes de um mesmo país, corroborando com a assertiva de que o português brasileiro, o moçambicano e o angolano são variedades linguísticas autônomas.
Palavras-chave: sociolinguística; pragmática; metodologia; formas de tratamento; pronomes pessoais.
Esta pesquisa apresenta uma microanálise transversal e qualitativa de caráter empírico-indutivo sobre as formas de tratamento entre candidatos ao cargo presidencial em cinco debates televisionados realizados antes do primeiro turno das... more
Esta pesquisa apresenta uma microanálise transversal e qualitativa de caráter empírico-indutivo sobre as formas de tratamento entre candidatos ao cargo presidencial em cinco debates televisionados realizados antes do primeiro turno das eleições de 2014. Baseado nos pressupostos da Antropologia Linguística, entende-se que os usos das formas de tratamento implicam o estudo das mudanças estruturais envolvidas na sociedade. Sendo assim, as formas de tratamento não são classificadas e entendidas como formas estanques com interpretações de uso a priori, mas como formas flexíveis que permitem aos interlocutores realizar seus discursos de maneira complexa e dinâmica. A classificação se determinada forma de tratamento serve para estabelecer uma aproximação ou distanciamento entre os interlocutores só pode ser estabelecida caso a caso e momento a momento na interação. Esta pesquisa não se restringe ao estudo do efeito e do como as palavras foram colocadas no palco do mundo, mas também tenta entender por quem, para quem, porquê, onde, qual o tipo de relação de poder que pode ser inferida da escolha de certa forma de tratamento. É pela composição de todos esses elementos que se pode ver como o ator social proporcionou seu ponto de vista, seu modo de refletir sobre o mundo e a natureza humana.
Palavras-chave: antropologia linguística; formas de tratamento; debate político; multimodalidade; gestualidade.

Abstract: This research presents a transversal and qualitative empirical-inductive investigation on the address terms of candidates for the presidential post in five political debates on TV before the first round of the 2014-election. Based on the assumptions of Linguistic Anthropology, it is understood that the uses of address terms imply the study of structural changes involved in society. Thus, address terms are not classified and understood as fixed forms with an a priori interpretation, but as flexible forms that allow interlocutors to produce their speeches in complex and dynamic ways. The classification if a given address term establishes an approximation or distancing between the parties can only be determined case by case and moment to moment during the interaction. This research is not only concerned about the study of effect and how the words were placed on the world stage, but it also tries to understand by whom, to whom, why, where, what kind of power relationship can be inferred from the use of some address term. It is by the composition of them all that one can see how the social actor gave his point of view, his way of thinking about the world and human nature.
A Linguística Histórica é um ramo da linguística bastante produtivo que busca estudar e analisar as mudanças da língua no decorrer do tempo, além de apresentar a história e a organização da língua no passado. A mudança linguística apesar... more
A Linguística Histórica é um ramo da linguística bastante produtivo que busca estudar e analisar as mudanças da língua no decorrer do tempo, além de apresentar a história e a organização da língua no passado. A mudança linguística apesar de ser tratada, geralmente, em uma perspectiva funcional, tem na teoria formal da Gramática Gerativa uma explicação a partir do processo de Aquisição da Linguagem.  Dessa forma, objetivamos neste estudo fomentar uma discussão a respeito da mudança como um objeto teórico da teoria gerativa, entendendo como a mudança é compreendida como um fenômeno de Aquisição da Linguagem, sendo prevista a partir das noções de input (experiência), parâmetros e Gramática Universal.
This paper seeks to discuss the productivity of the pronominals strategies for using the 2 nd person in speech (tu and você) and types of social relations between sender and receiver locked in 19 th century and 20 th century in letters... more
This paper seeks to discuss the productivity of the pronominals strategies for using the 2 nd person in speech (tu and você) and types of social relations between sender and receiver locked in 19 th century and 20 th century in letters produced writings by cariocas and mineiros. The focus of this study are the kinds of social relations that seem to constrain the frequency of use of strategies pronominal of the 2 nd person in handwritten letters in the Brazil to the Theory of Power and Solidarity thought by Brown and Gilman (1960). To sum up, the results present the prevalence of the subject você in social relations symmetric and asymmetric of the carioca and mineiro letters already looking to settle the semantics of Solidarity in the nineteenth-century Brazil.
Resumo: O pronome você na variedade europeia do português tem um comportamento discursivo muito complexo. Este facto faz com que os diferentes autores que se dedicaram a analisar os usos deste pronome não concordem com o seu valor real e... more
Resumo: O pronome você na variedade europeia do português tem um comportamento discursivo muito complexo. Este facto faz com que os diferentes autores que se dedicaram a analisar os usos deste pronome não concordem com o seu valor real e atual. Embora o Português Brasileiro tenha especializado você como pronome familiar, substituindo em ocasiões tu, o caso europeu apresenta contextos de uso de você aparentemente contraditórios: tratamento informal, tratamento formal e, até um determinado ponto, tratamento pejorativo. Este trabalho pretende refletir sobre o uso de você em Português Europeu, sobre uma perspetiva diacrónica e à luz da pragmática da cortesia. Para tal, extraímos dados de três diversos corpora que revelam o uso real de você ao longo do século XX, já que é a partir do XIX que você se especializa, em princípio, para a informalidade. Os resultados mostram um uso pouco expressivo deste pronome de tratamento e uma certa polivalência do mesmo, como efeito da paulatina marginalização que tem experimentado desde há mais de cem anos. Abstract: The pronoun você in European Portuguese has a very complex discursive behaviour. This fact has made different authors that analyzed the usage of this pronoun to disagree on its real and current value. Although the Brazilian Portuguese has specialized você as an informal pronoun, occasionally replacing tu, the European case presents contexts of usage of você that are apparently contradictory: informal address, formal address and to a certain extent pejorative address. This works aims to reflect on the usage of this pronoun in European Portuguese, from a diachronic perspective and in the light of the politeness principles. In order to do that we have obtained data from three different corpora that replicate the real usage of você throughout the 20 th century, since it is from the 19 th century that você, in principle, starts specializing as an informal pronoun. The results show an inexpressive usage of this politeness form and a certain polyvalence of it, as the effect of a gradual marginalisation that it has experienced for over one hundred years.
Resumen: Los ciegos callejeros fueron unos mediadores culturales que desarrollaron su actividad en España entre los siglos XIV y XX. Por un lado, se dedicaron al rezo de oraciones y, por otro lado, actuaron como difusores de las... more
Resumen: Los ciegos callejeros fueron unos mediadores culturales que desarrollaron su actividad en España entre los siglos XIV y XX. Por un lado, se dedicaron al rezo de oraciones y, por otro lado, actuaron como difusores de las menudencias de imprenta o literatura de cordel, de tal manera que ejercieron de intermediarios entre los textos escritos y el público oyente y/o lector. A pesar de que durante este dilatado período de tiempo despertaron un fuerte interés tanto entre la población como entre los gobernantes, la historiografía no ha generado una elevada cantidad de trabajos sobre este tema. No obstante, creo que puede realizarse un balance de los resultados generados hasta el momento, tarea que me propongo en el presente trabajo. Así, diferencio entre dos líneas de investigación: por un lado, algunos estudiosos han focalizado sus esfuerzos en sacar a la luz la vida y la obra de determinados ciegos copleros autores de literatura popular; por otro lado, unos pocos historiadores se han interesado por las hermandades de ciegos y por el papel que desempeñaron estos en la distribución de materiales menores. Asimismo, a lo largo de todo el artículo, se plantean algunas propuestas para el futuro con las que se pretende avanzar en el conocimiento de este tema. Abstract: Blind street singers were cultural intermediaries that worked in Spain between the 14 th and the 20 th centuries. On the one hand, they worked as prayers and, on the other hand, they were sellers of street ballads, becoming intermediaries between printed texts and readers-listeners. Although population and ruling people were interested in them, there are few studies on this field. Notwithstanding, an evaluation of the results obtained until now can be done. That is the challenge of this article. I think there are two approaches: firstly, some researchers have focused their studies on blind authors of popular literature; secondly, few historians have been interested in blind guilds and in the role they played in distributing menudencias. Likewise, in this article, I propose some approaches for the future with the aim of advancing in the knowledge about this field. !
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Resumen: La Historia de la Cultura Escrita se preocupa por conocer los usos, significados y apropiaciones de lo escrito en un sentido cada vez más amplio. Bandos, edictos y otros documentos de carácter dispositivo, aunque muy conocidos,... more
Resumen: La Historia de la Cultura Escrita se preocupa por conocer los usos, significados y apropiaciones de lo escrito en un sentido cada vez más amplio. Bandos, edictos y otros documentos de carácter dispositivo, aunque muy conocidos, no han sido objeto de estudios sistemáticos desde los fundamentos teóricos y metodológicos de esta disciplina. Materiales menores, pero también efímeros, que, desde el punto de vista de su tipología, los lugares por los que circularon y su presencia en el espacio público, permiten su inclusión dentro de las llamadas " escrituras expuestas " , término acuñado por Armando Petrucci en su obra La scrittura: ideologia e rappresentazione (1986) de cuyo impulso y recuperación se encarga actualmente el profesor Antonio Castillo Gómez. La importancia de los 2 bandos y pregones durante el periodo colonial ha sido puesta de manifiesto en numerosos estudios, aunque muchos de ellos lo han hecho desde otros enfoques, centrándose primordialmente en el contenido y en los diferentes aspectos que regulaban. Sin embargo, desde esta disciplina pretendemos analizar, además, las diferentes tipologías y discursos; así como los aspectos de la circulación, tanto oral como escrita; y los mediadores y recepción de los mismos. En esta línea, este trabajo plantea un primer acercamiento entre los mundos hispano y americano, analizando los diferentes resultados y controversias surgidas hasta este momento, desde un enfoque trasnacional y estableciendo una propuesta de diálogo y metodología común. ! Palabras clave: bandos; edictos; pregoneros; escritura expuesta; cultura escrita; Edad Moderna. Abstract: The social history of written culture has developed in recent years an increasing interest in the functions, meanings and appropriations of the written forms. Although they are well known, however, proclamations, edicts and other official documents have not been studied through the written culture methods. " Minor materials " but also ephemerals that, concerning to their typology and public dissemination, could be called " displayed writings " or " public letters " , as Armando Petrucci called them in La scrittura: ideologia e rappresentazione (1986), currently studied by Antonio Castillo Gómez. There are many studies about these documents during the colonial era, although many of them focusing in their content and rules. This paper proposes the study of administrative or bureaucratic products in order to approach to the way information circulated both oral and written form, in urban space during the early modern age both in Spain and America. To this end, we propose the formal and graphical analysis of the channels through which they circulated, or areas intended for public dissemination, that acquired a recognized function of points of information.
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Resumo: Na gramática tradicional, quando se fala em concordância nas línguas românicas ibéricas, faz-se sempre referência à que se dá entre o sujeito e o predicado (Conc S↔P), por norma quanto à pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) e quanto ao número... more
Resumo: Na gramática tradicional, quando se fala em concordância nas línguas românicas ibéricas, faz-se sempre referência à que se dá entre o sujeito e o predicado (Conc S↔P), por norma quanto à pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) e quanto ao número (singular e plural), mas pode afetar ao género quando se fala em construções passivas. Em determinadas línguas românicas (francês, italiano, sardo, catalão etc.) existe, aliás, uma dupla concordância de sujeito e objeto com o verbo (Conc S↔P↔O), como em catalão les pomes, pro les he comprades les pomes, onde esta segunda concordância é de género e número. Porém, existe uma terceira concordância, que é a de objeto e predicado (Conc P↔O), que partilha traços com a primeira, pois também afeta a pessoa e o número. É desta terceira que trataremos a seguir, pois só se produz em contextos muito concretos, os da voz média (impessoal e ergativa), que tem caraterísticas exclusivas em ibero-românico (portugalego, espanhol e catalão), com uma estrutura sintática complexa, que requer do sintagma diatético (SDiat) para explicar a sua natureza, bem como dos sintagmas de concordância de sujeito (SConcS) e de objeto (SConcO). Abstract: When traditional Grammar mentions agreement in the Iberian-Romance languages, it just refers to the existing agreement between Subject and Predicate (Agr S↔P) regarding the person (1 st , 2 nd or 3 rd) and the number (singular and plural), but it may also affect gender when dealing with passive constructions. Some Romance languages (French, Italian, Sardinian, Catalan) also know double agreement affecting both Subject and Object (Agr. S↔P↔O), as in Catalan les pomes, pro les he comprades les pomes, where the second agreement affects both gender and number. Yet there is a third type of agreement: Object Agreement (Agr. P↔O), which shares some features with the first type of agreement, since it also refers to both person and number. It is this third type of agreement we will focus on, as it occurs in very specific syntactic contexts (the so-called ergative and impersonal middle voice); it presents exclusive features in the Iberian-Romanian languages (Portugalician, Spanish and Catalan), with a complex syntactic structure requiring from the Diathesis Phrase (DiatP) and a couple of Agreement Phrases (SubjAgP and ObjAgrP) to explain its nature. !
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